Lesões físicas em animais selvagens

Este texto faz parte de uma série que examina as condições dos animais que vivem na natureza. Para mais textos examinando as formas como os animais na natureza sofrem e morrem, consulte nossa página principal sobre a situação dos animais na natureza. Para obter informações sobre como podemos ajudar animais feridos, consulte nossa página sobre resgate de animais presos e feridos.

Lesões físicas são uma das ameaças mais comuns aos animais que vivem na natureza. Em alguns casos, os animais sofrem ferimentos graves que os matam diretamente. Em outros casos, seus ferimentos podem afetá-los de maneiras indiretamente fatais, por exemplo, reduzindo sua capacidade de encontrar comida ou de evitar predadores. Mesmo quando os animais não são mortos por seus ferimentos, podem ficar com dor crônica, especialmente quando seus ferimentos não cicatrizam corretamente.

Os conflitos com outros animais podem ser com animais de outras espécies (na predação, por exemplo), ou podem ser com animais de sua própria espécie (como em conflitos por território ou parceiras, e na coerção sexual). Outras lesões são causadas por acidentes ou condições climáticas extremas. Por exemplo, os filhotes de aves às vezes se machucam depois de cair de seus ninhos, e os incêndios florestais podem deixar os animais com queimaduras. Os invertebrados tem os seu apêndices (antenas, por exemplo) presos e perdem partes do corpo em acidentes de muda.

 

Lesões causadas por conflito com outros animais

Predação

Muitos ataques de predadores não são bem sucedidos. Muitas vezes, os animais conseguem escapar de um perseguidor mesmo quando capturados inicialmente, mas podem sofrer ferimentos terríveis. Porcos-espinhos frequentemente perdem as pernas ou as tem danificadas depois de serem atacados por raposas.

A filmagem abaixo mostra um porco-espinho que perdeu a perna traseira esquerda, provavelmente como resultado de um ataque de raposa. Observe a dificuldade com que ela anda. É muito provável que sua lesão reduza sua capacidade de encontrar comida e de evitar predadores, além da dor física que isso deve causar a ele.

Essa joca jovem escapou de um tubarão que a estava atacando, mas ficou com ferimentos graves em seu flanco.

Anfíbios, como sapos, são freqüentemente encontrados com deformidades como falta de pernas ou pernas apenas parcialmente crescidas. Essas deformidades são causadas por predação seletiva pelas ninfas das libélulas nos girinos1. As ninfas das libélulas raramente comem um girino inteiro; ao contrário, eles agarram girinos e procuram partes macias para comer, geralmente o broto da perna traseira. Dependendo do estágio de desenvolvimento em que um girino se encontra quando é atacado, ele pode regenerar completamente o membro que está faltando; o membro pode ser completamente perdido; ou pode se desenvolver parcialmente. O sapo maduro precisa então tentar sobreviver com uma perna desenvolvida parcialmente ou ausente ou, às vezes, sem os olhos. Esse ataque em seu estágio de girino, portanto, torna mais difícil para ele encontrar comida e evitar predadores em sua vida adulta.

 

Conflito intraespecífico: lutas por território e por parceiras

O trauma físico também pode ser resultado de conflitos entre membros de uma mesma espécie. Por exemplo, os animais se perseguem e lutam entre si para defender seu território; estabelecer uma nova hierarquia social ou de acasalamento; ou para proteger os seus filhotes. A competição por comida, água, abrigo e outras necessidades básicas pode levar a comportamentos agressivos que causam lesões.

O vídeo abaixo mostra uma leoa solitária ferida após uma luta com um grupo de leões machos adolescentes. A luta pode ter ocorrido por causa de território; por causa da carcaça de algum animal; ou devido a uma tentativa de cópula forçada. Ela tem uma cauda quebrada, uma ferida aberta na perna traseira esquerda e está mancando muito. É improvável que ela sobreviva por conta própria, e ela segue o grupo que a machucou na esperança de que eles compartilhem comida com ela.

As focas cinzentas são territoriais durante a temporada de acasalamento. Essa jovem foca foi encontrada com ferimentos graves no rosto, pescoço e olhos. Suas feridas provavelmente foram causadas por outra foca. Os elefantes-marinhos machos usam seu enorme peso corporal e caninos afiados uns contra os outros quando lutam pelo controle de uma praia e, portanto, pelo controle de um harém de fêmeas. Embora essas brigas raramente sejam fatais, podem resultar em rasgões e cortes profundos para ambas as partes. Por exemplo, veja:

 

Acidentes

Os animais que vivem na natureza estão sujeitos a ferimentos no seu dia-a-dia. Muitos acidentes resultam de quedas, tocas ou esconderijos que desmoronam2, colisões, ou por ficarem presos. Pássaros esbarram em árvores, elefantes ficam presos em pântanos, cervos furam seus olhos em galhos baixos e esquilos caem de árvores. Os animais também podem ferir uns aos outros quando estão brincando de lutar.

 

Lesões por esmagamento

Muitos animais têm ferimentos devido a esmagamento, causados por trauma acidental. O esmagamento na maioria das vezes ocorre quando um indivíduo fica preso entre o chão e um objeto sólido, muitas vezes uma pedra ou um animal maior. O tipo e o grau da lesão por esmagamento dependem da quantidade de força, resultando em uma série de lesões, desde pequenos hematomas até hemorragias severas, fraturas e ruptura de órgãos internos3. Por exemplo, pedras ou galhos de árvores podem cair sobre um animal. Alguns animais pisam acidentalmente em animais menores. Pinguins machos podem esmagar acidentalmente um filhote quando estão se exibindo, o que pode causar ferimentos internos. Morsas ficam facilmente assustadas. A aproximação de um predador ou o barulho de um barco ou avião que passa pode fazer com que as morsas entrem em pânico e debandem em direção à água. Essas debandadas são extremamente perigosas para os filhotes, que podem ser feridos ou esmagados até a morte4.

 

Fraturas

Os vertebrados podem sofrer de uma variedade de fraturas nos ossos da espinha, cabeça e pescoço, membros, mandíbulas, asas, concha ou chifres.

Fraturas de ossos na espinha, membros e asas são comuns e podem ser fatais5. Muitos de nós conhecemos cavalos que não conseguem sobreviver a um membro quebrado. Isso ocorre devido à maneira como suas pernas muito leves se dobram e se quebram; devido à pele fina e facilmente penetrada ao redor dos ossos; e devido à facilidade com que o suprimento de sangue é cortado pelas artérias danificadas. Eles também são suscetíveis à pneumonia se deitarem por um longo período de tempo6.

Morsas foram registradas caindo de penhascos, muitas vezes em grandes quantidades. As morsas em um refúgio no Alaska caem do mesmo penhasco desde 19967. Essas quedas resultam em morte ou em ferimentos severos. Não está completamente claro o que é responsável por esses acidentes. As morsas muitas vezes transportam-se para a terra para descansar e, às vezes, quando as praias estão muito lotadas, sobem ladeiras suaves, com penhascos do outro lado. Uma vez lá, elas podem se assustar com ursos polares, ou podem simplesmente perder o equilíbrio quando estiverem retornando ao mar8. O vídeo abaixo mostra um grande número de morsas caindo e morrendo. Há de duzentos a trezentos mortos em um pequeno trecho da praia. Observe o close-up de uma morsa que sobreviveu à queda. Ainda respirando, mas é incapaz de se mover. Ela deve ter sofrido muito antes de sua morte.

Pássaros possuem pernas que podem ser facilmente quebradas porque são pequenas e muitas vezes ocas. Elas também podem estar frágeis devido à subnutrição ou devido a postas excessivas de ovos. Causas comuns de pernas quebradas são quedas, lutas, colisões acidentais com outros animais, ou ser acidentalmente pisoteado por um animal maior. Ossos quebrados nos membros ou asas de pássaros e pinguins voadores são graves e geralmente fatais9. A espessura fina dos ossos das aves voadoras pode ajudá-las a voar, mas torna os seus ossos mais propensos a se quebrarem ou a se fragmentarem10.

Lesões nos ossos ao redor do olho (fraturas orbitais) ocorrem quando há um golpe direto no rosto; devido a uma pedra caindo; devido à uma colisão com uma árvore ou com uma parede; ou devido a um coice de outro animal. Isso pode causar hemorragia ocular e levar a uma infecção mais tarde11.

Cágados e tartarugas podem ter as carapaças fraturadas devido a quedas, impacto de objetos, ou por serem pisoteados por outros animais. Fraturas grandes podem ser muito sérias. A carapaça de uma tartaruga serve como um tipo de espinha dorsal, e uma tartaruga pode ficar paralisada, ou seus pulmões podem entrar em colapso dependendo de onde está a rachadura. Se a fratura é profunda, poderá haver perda de sangue. A carapaça pode apodrecer devido a uma infecção por bactérias ou fungos debaixo da rachadura. Os animais aquáticos são particularmente suscetíveis ao apodrecimento da carapaça. Há terminações nervosas dentro e ao redor da carapaça, então pode ser doloroso como qualquer outra fratura de osso. .

Chifres são também feitos de osso e podem sangrar. Se arrancados perto de sua base, a pele será também arrancada12.

Os bicos podem se quebrar devido a colisões ou lutas. Uma ave pode também quebrar o seu bico se este ficar preso em algo. Se ela entra em pânico e tenta se libertar, pode quebrar e arrancar o seu bico. Bicos são feitos de pele coberta com queratina (o mesmo material de nossas unhas). O bico é anexado aos ossos, e a ponta do bico possui uma concentração de nervos e vasos sanguíneos. As aves usam os seus bicos não apenas como bocas, mas também da maneira pela qual os humanos usam as mãos para pegar coisas. Se o bico de uma ave está ferido, ela pode não conseguir comer, beber, construir um ninho, ou se proteger. Certas fraturas causam sangramento e, em alguns casos, uma ave pode sangrar até a morte por causa de um bico fraturado. Bicos feridos podem também conduzir a problemas de respiração ou sinusite13. Os bicos não se auto regeneram, mas a parte ferida pode crescer. A ponta continua a crescer porque é constantemente desgastada devido ao uso, mas os ferimentos longe da ponta podem desfigurar permanentemente. Uma ave ferida pode conseguir apenas comer comida macia, o que pode tornar difícil que consiga sobreviver na natureza selvagem14.

 

Rasgões nas asas

Asas de morcegos e de insetos podem se rasgar devido a colisões com objetos, plantas, espinhos ou devido a infecções por fungos. Rasgões em asas de morcegos são ferimentos sérios e podem conduzir à perda de sangue15. Rasgões podem cicatrizar por si próprios, mas asas rasgadas podem afetar a capacidade de voo, às vezes impedindo completamente o voo. Os animais também precisam de descanso e de energia extra para ficarem curados, e enquanto estão em processo de cura, são mais vulneráveis à fome, predação e outras ameaças.

 

Ferimentos nos olhos

Os animais na natureza podem ter ferimentos nos olhos devido a corpos estranhos, perfurações ou fumaça. Uma maneira comum pela qual um animal pode receber um ferimento no olho é por correr no meio de galhos. Dado que muitos animais, como cervos e antílopes, tentam escapar de predadores e de outras ameaças correndo dentro da mata, muitos correm no meio de galhos baixos. Apesar disso geralmente afetar apenas um olho, qualquer dano permanente ou perda de visão pode tornar o animal mais propenso a outros acidentes e a ser predado no futuro.

Animais voadores têm uma vantagem porque precisam passar no meio de menos coisas. Entretanto, pássaros podem ferir os seus olhos caindo de árvores quando são ainda muito jovens, ou por correrem no meio de galhos quando decolam. Podem também se ferir pelas garras em lutas com outros pássaros. Ferimentos nos olhos que não cicatrizam inibem a habilidade de um pássaro voar.

Ferimentos na pálpebra, como rasgões ou perfurações, muitas vezes acontecem devido a quedas ou por correrem em meio a algo. A pálpebra é uma parte frágil do corpo de um animal. Pode ser facilmente danificada e, se não cicatriza apropriadamente, pode conduzir à perda de visão ou infecção. Ter areia, vidro ou outros corpos estranhos presos no olho pode ser muito doloroso para muitos animais, que podem ferir a si próprios tentando retirá-los16.

 

Autoamputação

Apêndices como membros, asas e antenas podem ser perdidos diretamente em acidentes ou lutas, mas muitos animais perdem apêndices por autotomia, ou autoamputação. Polvos amputam seus próprios braços, lagartos as suas caudas, e aranhas suas pernas quando estão em perigo, geralmente por terem seus apêndices enganchados ou presos em lutas com outros animais; para prevenir que o veneno de uma picada se espalhe pelo seu corpo; ou em erros de muda. Quando não é para escapar de uma situação perigosa, a autoamputação pode ser uma resposta à dor resultante de um ferimento ou uma tentativa de remover uma parte do corpo que não é mais útil17.

O grau em que um apêndice perdido afeta um animal depende do tipo do apêndice, de sua função e do ambiente. Alguns animais, como polvos e aranhas, muitas vezes se viram bem quando perdem um braço ou uma perna18.

Muitos invertebrados, especialmente os jovens, podem regenerar membros, antenas e outras partes do corpo através da muda. A gravidade e a duração de uma lesão reparável depende da idade, da frequência e do tempo que a muda leva para acontecer, e da parte do corpo lesionada19. Um lagostim que realiza a muda (isto é, a troca do exoesqueleto) apenas uma vez por ano pode se virar sem uma perna, mas perder uma garra ou uma antena poderia prejudicar seriamente sua habilidade de sobreviver a lutas com outros animais ou de explorar o seu ambiente e de buscar abrigo20. Um membro não curado pode ser particularmente danoso para insetos saltadores, como grilos21.

Nem sempre é possível regenerar totalmente partes do corpo lesionadas ou amputadas. A peça de reposição nem sempre é a mesma em termos de estrutura e função. Algumas lesões não cicatrizam devido à gravidade ou devido à idade do animal22.

Certos vertebrados possuem alguma capacidade regenerativa, como lagartos que regeneram caudas, peixes cujas barbatanas crescem novamente23 e salamandras cujos membros podem também crescer novamente24. Morcegos conseguem regenerar asas e orelhas, e ungulados conseguem regenerar seus chifres25. Entretanto, as partes que cresceram novamente podem ser menores ou mais fracas, e se o animal está sob muito estresse, pode não conseguir regenerar a parte de modo algum.

 

Muda

A muda é uma causa comum de ferimentos nos artrópodes. Mesmo quando não estão feridos, os artrópodes precisam realizar a muda (isto é, descartar seus exoesqueletos) para poder crescer, e então os seus novos exoesqueletos precisam ser endurecidos ou reconstruídos, juntamente com outras partes do corpo como os revestimento dos órgãos.

Apesar de os artrópodes serem vulneráveis a ferimentos externos durante a muda e enquanto os seus novos exoesqueletos são ainda macios, são mais propensos a morrer ou a serem feridos devido a falhas no complexo processo de muda26. Eles podem também falhar em regenerar uma parte do corpo ferida, ou, se a lesão ocorrer após um determinado período crítico, não conseguirem regenerá-la durante a próxima muda27, deixando-os com funcionamento reduzido até a muda seguinte, o que pode demorar meses, e em alguns casos, anos. Isso é pior para animais mais velhos, que tendem a realizar a muda menos frequentemente à medida que envelhecem.

Algumas larvas não conseguem respirar quando os seus exoesqueletos estão saindo e podem asfixiar se o processo dura tempo demais ou se algo sai errado. Larvas da efemérida precisam tomar oxigênio extra antes da muda porque elas deixam seu revestimento traqueal para trás e param de respirar durante o processo de muda28. Em outras espécies, apenas sair de seus exoesqueletos já é algo que pode durar meses, e se eles ficam presos, podem ser esmagados até a morte à medida que continuam a crescer29.

Artrópodes que realizam a muda podem também arrancar uma parte sensível à medida que se extraem, perdendo ou deslocando seus membros, esmagando seus pulmões, ou ferindo um olho ou outro tecido macio. É mais provável que ocorram lesões se um animal experimentar uma queda anormal do exoesqueleto, uma condição chamada disecdise, que pode ser causada pelo estresse. Alguns ferimentos causam hemorragias que implicam risco de vida30. Os animais são mais suscetíveis a ataques de predadores ou de membros da própria espécie enquanto estão realizando a muda. Por exemplo, camarões são mais propensos a serem feridos ou mortos por outros camarões durante certos estágios da muda31.

 

Lesões devido a condições meteorológicas e desastres naturais

Os animais que vivem na natureza precisam enfrentar condições meteorológicas extremas. Essas condições geralmente causam lesões que podem ser muito dolorosas, debilitantes ou mortais.

Tempestades são perigosas para animais que não conseguem procurar abrigo. Animais marinhos podem ser jogados contra rochas durante tempestades. As aves aquáticas são atingidas por grandes bolas de gelo durante as tempestades de granizo. Isso pode causar danos aos órgãos internos; asas e membros quebrados; e lesões oculares. As aves aquáticas estão especialmente em risco32.

A superexposição pode causar queimaduras solares, cuja gravidade pode variar de pequenas queimaduras até a destruição completa da pele e dos tecidos subjacentes. As feridas mais graves podem ser fatais. Animais como hipopótamos, elefantes e porcos têm a pele sensível. Para evitar queimaduras solares, eles revestem a pele com lama. Quando a lama não está prontamente disponível, durante as secas por exemplo, isso não é uma opção e eles podem sofrer queimaduras solares graves. Uma seca em Lamu, no norte do Quênia, em 2017, levou hipopótamos e outros animais a ficarem presos em lagoas de lama secas. Incapazes de revestir a pele com uma camada protetora de lama úmida, muitos deles sofreram queimaduras solares graves33.
O clima frio também pode causar lesões em animais que vivem na natureza. No frio intenso, os animais podem sofrer de ulceração pelo frio. Este gato abandonado perdeu partes de suas orelhas e nariz depois de ficar preso do lado de fora no frio intenso. Os pássaros podem perder as pernas quando ficam presos em grades congeladas.

 

Efeitos em longo prazo de lesões na natureza

Quando um animal se fere, mas não morre, ele pode sofrer de várias maneiras. Em primeiro lugar, há a dor causada por suas feridas. Um animal ferido pode experimentar dor intensa e desconforto. A dor pode também conduzir a comportamentos que são perigosos para o animal, como fazê-los diminuir a sua ingestão de comida e água, conduzir à perda de peso, ruptura muscular e respiração prejudicada34. Em segundo lugar, um animal ferido fica também propenso a sofrer de uma gama de outros problemas devido a infecções e doenças relacionadas. Na ausência de tratamento médico, a infecção é um correlato natural do que acontece quando um caçador atira e fere sua vítima e esta não morre pelo tiro, mas cai e, por não conseguir se mover, acaba morrendo lentamente. Tecidos danificados tendem a se tornar infestados de parasitas (o que é conhecido como miíase)35. A infestação de parasitas pode ser extremamente dolorosa e pode causar complicações adicionais como diarreia, vômito e distúrbios visuais.

Finalmente, os efeitos incapacitantes do ferimento (exacerbados por infecções ou infestação de parasitas) comprometem o bem-estar dos animais em muitos aspectos importantes. Mais notavelmente, o animal pode não estar apto a escapar de situações ameaçadoras ou a manter-se com o seu grupo social. Animais feridos também se tornam alvos preferenciais, tanto de predadores como de membros competitivos da sua própria espécie. A correlação entre más condições físicas e predação foi amplamente discutida na literatura científica36. Predadores não caçam aleatoriamente, mas, em vez disso, selecionam indivíduos que parecem fracos, incluindo aqueles que mostram sinais de doença. Como exemplo, a taxa de predação de cervos por leões da montanha havia aumentado quatro vezes devido ao aumento da prevalência de infecção na população de cervos37.

Os animais que vivem na natureza são vulneráveis a uma vasta gama de ferimentos físicos terríveis. As causas desses ferimentos são muitas e variadas: golpes e mordidas de predadores e animais competitivos de sua própria espécie; fogo, gelo e chuvas torrenciais; quedas e colisões; e auto amputação e acidentes durante o processo de muda.

Para obter informações sobre como podemos ajudar animais selvagens sofrendo ferimentos, consulte Resgates de animais presos.


Leituras adicionais

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Notas

1 Ballengee, B. & Sessions, S. K. (2009) “Explanation for missing limbs in deformed amphibians”, Journal of Experimental Biology Part B: Molecular & Developmental Evolution, 312B, pp. 770-779.

2 Homer, B. L; Berry, K. H.; Brown, M. B.; Ellis, G.; Jacobson, E. R. (1998) “Pathology of diseases in wild desert tortoises from California”, Journal of Wildlife Diseases, 34, pp. 508-523 [acessado em 29 de agosto de 2019].

3 Wildpro (2011) “Crushing (with special reference to waterfowl and hedgehogs)”, wildpro.twycrosszoo.org [acessado em 24 de agosto de 2019].

4 Minerals Management Service & Alaska OCS Region (2008) “Beaufort Sea and Chukchi Sea planning areas: Oil and gas lease sales 209, 212, 217, and 221”, vol. 2, Washington, D. C.: U. S. Department of the Interior, ch. 4.4 [acessado em 24 de agosto de 2019]; Goldberg, S. (2014) “US reroutes flights around Alaska beach in attempt to avoid walrus stampede”, The Guardian, Thu 2 Oct [acessado em 3 de setembro de 2019].

5 Bulstrode, C.; King, J. & Roper, B. (1986) “What happens to wild animals with broken bones?”, The Lancet, 327, pp. 29-31.

6 Cook, C. (2011) “Why does a broken leg mean the end for a horse?”, The Guardian.com, Fri 23 Sep [acessado em 29 de agosto de 2019].

7 Badger, T. A. (1996) “Biologists puzzled by walruses’ deadly falls from Alaska cliffs”, The Washington Post, [acessado em 5 de agosto de 2019].

8 Letzer, R. (2019) “Is climate change really causing walruses to jump off cliffs?”, LiveScience, April 13 [acessado em 8 de setembro de 2019].

9 Penguin Rescue (2019) “Rehabilitation”, penguins.org.nz [acessado em 7 de agosto de 2019].

10 Bennett, R. A. & Kuzma, A. B. (1992) “Fracture management in birds”, Journal of Zoo and Wildlife Medicine 23, pp. 5-38 [acessado em 4 de agosto de 2019].

11 Kirby, R.; Gelatt, K. N. & Wilkins, P. A. (2019) “Eye emergencies”, Merck Manual: Veterinary Manual [acessado em 31 de agosto de 2019].

12 Morris, P. J.; Bicknese, B. & Sutherland-Smith, M. (2008) “Repair of horn and frontal bone avulsion in a forest buffalo (Syncerus caffer nanus) with a polymethylmethacrylate dressing,” Journal of Zoo and Wildlife Medicine, 39, pp. 99-102.

13 Harvey, P. (2010) “Avian casualties: Wildlife triage”, Vet Times, September 20 [acessado em 7 de setembro de 2019].

14 National Aviary (2019) “Beak repair”, aviary.org [acessado em 3 de setembro de 2019].

15 Khayat, R. O. S.; Shaw, K. J.; Dougill, G.; Melling, L. M.; Ferris, G. R.; Cooper, G. & Grant, R. A. (2019) “Characterizing wing tears in common pipistrelles (Pipistrellus pipistrellus): Investigating tear distribution, wing strength, and possible causes”, Journal of Mammalogy, 100, pp. 1282-1294 [acessado em 3 de setembro de 2019].

16 Kirby, R.; Gelatt, K. N. & Wilkins, P. A. (2019) “Eye Emergencies”, op. cit. Richter, V. & Freegard, C. (2009) Standard operating procedure first aid for animals, Canberra: Department of Environment and Conservation [acessado em 29 de agosto de 2019].

17 Emberts, Z.; Miller, C. W.; Kiehl, D.; St. Marya, C. M. (2017) “Cut your losses: Self-amputation of injured limbs increases survival”, Behavioral Ecology, 28, pp. 1047-1054 [acessado em 5 de outubro de 2019]. Kachramanoglou, C.; Carlstedt, T.; Koltzenburg, M. & Choi, D. (2011) “Self-mutilation in patients after nerve injury may not be due to deafferentation pain: A case report”, Pain Medicine, 12, pp. 1644-1648 [acessado em 7 de setembro de 2019].

18 Alupay, J. S. (2013) “Characterization of arm autotomy in the octopus, Abdopus aculeatus”, tese de doutorado, Berkeley: University of California [acessado em 7 de setembro de 2019].

19 Mykles, D. L. (2001) “Interactions between limb regeneration and molting in decapod crustaceans”, Integrative and Comparative Biology, 41, pp. 399-406 [acessado em 3 de julho de 2019]. O’Neill, M.; DeLandro, D. & Taylor, D. (2019) “Age-related responses to injury and repair in insect cuticle”, Journal of Experimental Biology, 222 [acessado em 24 de outubro de 2019].

20 Koch, L. M.; Patullo, B. W.; Macmillan, D. L. (2006) “Exploring with damaged antennae: do crayfish compensate for injuries?Journal of Experimental Biology, 209, pp. 3226-3233 [acessado em 30 de agosto de 2019].

21 Parle, Eoin; Dirks, Jan-Hennig; Taylor, David (2016) “Bridging the gap: wound healing in insects restores mechanical strength by targeted cuticle deposition”, Journal of the Royal Society, 13 (117) [acessado em 29 de agosto de 2019].

22 O’Neill, M.; DeLandro, D.; Taylor, D. 2019 “Age-related responses to injury and repair in insect cuticle”, Journal of Experimental Biology, 222 [acessado em 24 de outubro de 2019]. Parlea, E; Dirksb, J.-H. & Taylor, D (2017) “Damage, repair and regeneration in insect cuticle: The story so far, and possibilities for the future”, Arthropod Structure and Development, 46, pp. 49-55.

23 Darnet, S.; Dragalzew, A. C.; Amaral, D. B.; Sousa, J. F.; Thompson, A. W.; Cass, A. N.; Lorena, J.; Pires, E. S.; Costa, C. M.; Sousa, M. P.; Fröbisch, N. B.; Oliveira, G.; Schneider, P. N.; Davis, M. C.; Braasch, I. & Schneider, I. (2019) “Deep evolutionary origin of limb and fin regeneration”, Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, 116, pp. 15106-15115 [acessado em 30 de junho de 2019].

24 Brockes, J. P. (1997) “Amphibian limb regeneration: Rebuilding a complex structure”, Science, 276, pp. 81-87.

25 Goss, R. J. (1987) “Why mammals don’t regenerate—or do they?”, Physiology, 2, pp. 112-115.

26 Maginnis,Tara Lynne (2006) “The costs of autotomy and regeneration in animals: A review and framework for future research”, Behavioral Ecology, 17, pp. 857-872 [acessado em 31 de agosto de 2019]. Mykles, D. L. (2001) “Interactions between limb regeneration and molting in decapod crustaceans”, Integrative and Comparative Biology, 41, pp. 399-406 [acessado em 4 de julho de 2019]. Tower, W. L. “Observations on the changes in the hypodermis and cuticula of coleoptera during ecdysis”, Biological Bulletin, 10, pp. 176-192.

27 Mykles, D. L. (2001) “Interactions between limb regeneration and molting in decapod crustaceans”, Integrative and Comparative Biology, 41, pp. 399-406 [acessado em 13 de março de 2019].

28 Camp, A. A.; Funk, D. H. & Buchwalter, D. B. (2014) “A stressful shortness of breath: Molting disrupts breathing in the mayfly Cloeon dipterum”, Freshwater Science, 33, pp. 695-699 [acessado em 12 de outubro de 2019].

29 University of California Museum of Paleontology (2005) “The dangers of molting!”, Understanding Evolution [acessado em 4 de outubro de 2019].

30 Pellett, S. & O’Brien, M. (2019) “Exoskeleton repair in invertebrates”, Veterinary Clinics of North America: Exotic Animal Practice, 22, pp. 315-330.

31 Ibid. Peebles, B. (1978) “Molting and mortality in Macrobrachium rosenbergii”, Proceedings of the Annual Meeting – World Mariculture Society, 9, pp. 39-46 [acessado em 3 de setembro de 2019].

32 Montana Department of Fish, Wildlife & Parks (2019) “Hailstorm pummels Big Lake WMA waterfowl”, fwp.mt.gov, Fri Aug 16 [acessado em 4 de dezembro de 2019]. Jones, J. (2015) “Hundreds of flamingos battered to death during giant hailstone storm”, The Local, 3 September [acessado em 14 de fevereiro de 2019]. SAPeople (2019) “Falcon tragedy: Hundreds of birds die as massive hail storm hits Newcastle overnight”, SA People News, Mar 22 [acessado em 24 de agosto de 2019].

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34 Ibid. Northern Ireland. Executive Information Service (2015) “Welfare of dogs: Potection from pain and illness”, nidirect [acessado em 3 de março de 2019].

35 Pellett, S. & O’Brien, M. (2019) “Exoskeleton repair in invertebrates”, op. cit. Francesconi, F. & Lupi, O. (2012) “Myiasis”, Clinical Microbiology Reviews, 25, pp. 79-105 [acessado em 14 de agosto de 2019].

36 Pellett, S. & O’Brien, M. (2019) “Exoskeleton repair in invertebrates”, op. cit. Curio, E. (1976) The ethology of predation, Berlin: Springer. Martín, J.; de Neve, L.; Polo, V. & Fargallo, J. A. (2006) “Health-dependent vulnerability to predation affects escape responses of unguarded chinstrap penguin chicks”, Behavioral Ecology and Sociobiology, 60, pp. 778-784. Penteriani, V.; Delgado, M. M.; Bartolommei, P.; Maggio C.; Alonso-Álvarez, C. & Holloway, J. (2008) “Owls and rabbits: Predation against substandard individuals of an easy prey”, Journal of Avian Biology, 39, pp. 215-221.

37 Pellett, S. & O’Brien, M. (2019) “Exoskeleton repair in invertebrates”, op. cit. Miller, M. W.; Swanson, H. M.; Wolfe, L. L.; Quartarone F. G.; Huwer, S. L.; Southwick, C. H. & Lukacs, P. M. (2008) “Lions and prions and deer demise”, PLOS ONE, 3 (12) [acessado em 13 de fevereiro de 2013].

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