Ajudando animais selvagens por meio da vacinação: isso poderia acontecer em relação a coronavírus como o SARS-CoV-2?

3 Jul 2020

Os animais selvagens podem sofrer e morrer prematuramente devido a muitos fatores, incluindo condições climáticas prejudiciais, fome, sede e desnutrição, parasitismo, conflitos e acidentes1. Um desses fatores, que mata dolorosamente um vasto número de animais, são as doenças2.

No entanto, felizmente, para muitos animais os programas de vacinação de animais selvagens já são conduzidos há décadas. Na maioria das vezes, esses programas foram implementados para prevenir que doenças zoonóticas se espalhem de animais não humanos para humanos (ou para outros animais com os quais os humanos convivem). Porém, independentemente disso, esses programas impediram enormes quantidades de sofrimento e salvaram as vidas de muitos animais selvagens. Esforços completos de vacinação podem chegar até a erradicar uma doença, devido à redução drástica da taxa de transmissão. Por exemplo, como veremos abaixo, a raiva foi eliminada de grandes áreas da América do Norte e da Europa. Esses sucessos mostram que seria viável implementar programas semelhantes, por preocupação com os próprios animais. Os cientistas mostraram apoio em relação à obtenção de mais conhecimento sobre esse método de ajudar os animais na natureza3.

A extensão com que alguns animais podem sofrer de doenças diferentes tornou-se proeminente devido à presente pandemia de COVID-19. Agora, muitas pessoas sabem que o contato próximo entre animais, incluindo os humanos, oferece oportunidades para as zoonoses, isto é, de as doenças saltarem entre os membros de diferentes espécies. A eliminação de reservatórios de doenças, como esses entre populações de animais, tipicamente foi o que motivou os programas de vacinação de animais selvagens.

Uma questão que pode então surgir é se seria possível eventualmente vacinar animais ameaçados por coronavírus como o SARS-CoV-2, que é a causa da COVID-19. Parece que, se uma vacina fosse desenvolvida com sucesso, haveria um incentivo para fazê-lo, mesmo por parte de quem se preocupa apenas com a saúde humana e não com a dos animais não humanos, porque essa medida poderia prevenir eventuais infecções zoonóticas. No entanto, como em outros programas de vacinação, muitos animais não humanos seriam substancialmente ajudados por essa medida.

A seguir, examinaremos essa questão em mais detalhes. Primeiro, veremos alguns casos de programas de vacinação bem-sucedidos no passado, incluindo vacinação contra raiva, antraz, peste bovina, brucelose e peste silvestre, além da proposta de vacinar grandes símios contra o Ebola. Em seguida, veremos como as epidemias zoonóticas têm sido objeto de crescente atenção. Depois, veremos então algumas respostas a elas que são mal orientadas e prejudiciais aos animais. Na sequência, veremos as perspectivas de eventuais programas de vacinação de animais silvestres contra os coronavírus, como o SARS-CoV-2. Veremos as três principais limitações de tais programas hipotéticos: a falta de uma vacina eficaz, a falta de financiamento para implementar o programa de vacinação, e a falta de um sistema eficaz para administrar a vacina. Consideraremos até que ponto essas limitações podem ser superadas e quais pistas os exemplos anteriores de vacinação podem fornecer. Como veremos, esses programas permanecem até o momento meramente especulativos. Eles poderiam ser viáveis ​​em algum momento, como mostram outros programas de vacinação de animais selvagens. No entanto, permanece incerto se haverá interesse humano em implementá-los, apesar dos benefícios para os próprios animais.

Finalmente, veremos as razões pelas quais, se implementados, programas desse tipo poderiam ajudar substancialmente não apenas os animais vacinados, mas muitos outros também. Isso não apenas preveniria a transmissão da doença zoonótica a outros animais, mas tais medidas também poderiam ajudar a informar outros esforços para vacinar os animais que vivem na natureza. Além disso, cada programa de vacinação bem-sucedido ajuda a ilustrar que ajudar os animais selvagens não é impraticável, mas realista. Isso ajuda a aumentar a preocupação com esses animais e a inspirar ações em prol deles.

 

Exemplos de programas de vacinação

Muitas pessoas não percebem o quão extensivamente os animais que vivem na natureza já foram vacinados. Obviamente, isso aconteceu apenas para uma pequena minoria do gigantesco número de doenças pelas quais poderíamos vaciná-los. No entanto, as vacinações ainda assim tiveram um impacto muito grande para um amplo número de animais. Abaixo estão alguns exemplos (mais informações são encontradas em nossa página que oferece uma visão geral das vacinações de animais selvagens).

 

Raiva

A vacinação contra a raiva é provavelmente o melhor exemplo de vacinação de animais selvagens, porque é a que tem sido realizada mais extensivamente e já há várias décadas. A raiva causa grande sofrimento e quase certamente a morte nas vítimas que infecta (independentemente de serem animais humanos ou não humanos). Alguns sintomas potenciais são: febre, dor, sensação de formigamento/queimação, hidrofobia, agressão, confusão e paralisia muscular4. A vacinação contra raiva foi implementada de maneira eficaz por meios como a dispersão a partir de helicópteros de iscas orais contendo a vacina. Por esse método, a raiva já foi praticamente eliminada em grandes áreas da Europa e América do Norte5.

Nos EUA, as tentativas de reduzir a propagação da raiva começaram na década de 1970. Estima-se que um desses programas vacinou perto de dois terços da população de guaxinins em Massachusetts6. Outro programa vacinou coiotes no Texas e levou a uma grande redução no número de novos casos7. Foi sugerido que, com os esforços coordenados dos EUA, Canadá e México, seria possível alcançar a eliminação completa da raiva em muitas outras partes da América do Norte8.

 

Antraz

O antraz é transmitido pela bactéria Bacillus anthracis. As bactérias liberam esporos que podem causar infecções quando inaladas, ingeridas ou passam por uma ferida aberta. Os esporos são incrivelmente resilientes e podem permanecer infecciosos por anos no solo ou no corpo de um animal. Os animais herbívoros podem ingerir diretamente os esporos, enquanto os animais que pastam e animais predadores podem ingerir os esporos a partir dos corpos de animais herbívoros.

Uma vez infectados, os sintomas podem incluir febre alta, tremores musculares e dificuldade de respirar. Os surtos podem levar a um imenso sofrimento e imensa quantidade de mortes entre os animais. Entre os mamíferos herbívoros, os surtos podem matar entre 21% e 51% dos hipopótamos e até 90% de impalas e cudos9. Um surto em 2016 na Sibéria matou 2.300 renas10.

Felizmente, em alguns casos, todos os porquinhos-da-índia, zebras e rinocerontes foram vacinados com sucesso contra o antraz11. Em um surto na África Oriental, 53 zebras morreram de antraz. As 650 zebras restantes foram todas vacinadas e não houve mais mortes12.

 

Peste bovina

A vacinação contra a peste bovina é um exemplo de uma grande história de sucesso na vacinação de animais. A peste bovina era uma doença viral infecciosa que prejudicava vacas, bisontes, gnus, girafas, antílopes, javalis e outros ungulados artiodátilos. Os sintomas incluíam febre, perda de apetite, corrimento nasal e nos olhos, constipação seguida de diarreia aguda e lesões na boca, no revestimento do nariz e no trato genital. A morte normalmente acontecia entre 6 a 12 dias. Em populações anteriormente não expostas, a taxa de mortalidade era próxima de 100%13. Um surto na década de 1890 matou cerca de 90% das vacas no sul e no leste da África, bem como muitos outros animais14.

Como os animais explorados pelos humanos foram bastante prejudicados pela doença, foram tomadas medidas nesse caso que provavelmente não teriam sido tomadas de outra forma. Um grande número de animais domesticados foi vacinado contra a doença.

Em junho de 2011, a Organização Mundial de Saúde Animal anunciou oficialmente que a doença havia sido erradicada globalmente15. Embora os animais que vivem na natureza não tenham sido vacinados, a doença ainda assim foi erradicada, o que continua a protegê-los de danos muito graves. O benefício para os animais selvagens não foi intencional, mas ainda foi altamente benéfico para eles. Como exemplo disso, considere que a população de gnus no Serengeti em 1957 era de 100.000. Em 1971, apenas 10 anos após o desenvolvimento da primeira vacina, a população havia crescido para 770.00016. Isso mostra a enorme quantidade de sofrimento e de mortes que a doença deveria estar causando a esses animais.

 

Brucelose

A brucelose é uma doença contagiosa disseminada por diferentes bactérias da família Brucella. Danifica principalmente o sistema reprodutivo, levando a natimortos, defeitos congênitos e outras complicações do parto. Pode causar inchaço dos testículos nos machos. Também pode afetar as articulações, causando artrite17.

Estima-se que 12,5 mil alces e 2,5 mil bisontes no Parque Nacional de Yellowstone estejam infectados. Para combater a doença nessa área, uma vacina foi desenvolvida para os bisontes que vivem nessa área18. A vacinação de bisontes nessa área está sendo discutida agora, e essa medida provavelmente melhoraria seu bem-estar e impediria a disseminação das doenças para outros animais19.

 

Peste silvestre

A peste silvestre é uma doença bacteriana infecciosa causada pela bactéria Yersina pestis. Esta é a mesma bactéria responsável pela peste bubônica em humanos. Causa surtos em animais como furões e cães da pradaria.

Os sintomas podem incluir febre, desidratação, baixa energia, falta de apetite, dificuldade em respirar, baço aumentado e linfonodos aumentados20. A doença geralmente é fatal em cães da pradaria21.

Por preocupação conservacionista com os furões, que estavam morrendo porque atacam e comem cães da pradaria, foram adotados programas de vacinação. Depois que os cães da pradaria são vacinados, sua taxa de sobrevivência melhora para 95%. A vacinação é feita por meio de iscas orais, em vez de dardos hipodérmicos, o que torna o processo mais rápido e menos invasivo para os cães da pradaria22.

 

Ebola

Desde a década de 1990, a estirpe Zaire do Ebola matou aproximadamente um terço das populações de gorilas e chimpanzés23. O ebola é uma doença terrível que pode causar febre, sangramento interno, fraqueza muscular, dificuldade de respirar e de engolir, vômitos e diarreia. Nos gorilas, a taxa de mortalidade pode chegar a 90%24. A vacinação de macacos contra o Ebola é outra área em que ações foram sugeridas. A vacinação poderia ser feita com o uso de uma isca oral ou de um dardo hipodérmico.

Como animais de grande porte que são semelhantes aos humanos em muitos aspectos, grandes primatas não humanos, como gorilas e chimpanzés, tendem a ser muito mais respeitados pelos humanos e tratados melhor do que outros animais. É provável que essas propostas sejam levadas mais a sério por esse motivo e também pelo risco de o Ebola se espalhar deles para os humanos, mesmo que outros animais mereçam a mesma preocupação.

 

Preocupações crescentes com epidemias zoonóticas por razões focadas nos interesses humanos

O interesse pela vacinação de animais selvagens cresceu nas últimas décadas, movido principalmente por preocupações com a saúde dos humanos, e não com a saúde dos outros animais. Isso se deve ao risco de epidemias zoonóticas, pois atualmente estima-se que cerca de três dos quatro novos patógenos que infectam humanos possam se espalhar para os humanos a partir de outros animais, e esse número aumentou com o tempo25.

Agora estamos testemunhando um exemplo disso, pois as evidências indicam fortemente que a pandemia de COVID-19 decorre de um betacoronavírus26 de morcego-ferradura que saltou para os humanos, provavelmente por meio de um hospedeiro intermediário, como os pangolins27 (embora vírus parecidos com SARS-CoV-2 também tenham sido encontrados em civetas e em cães-guaxinim)28.

O surto de SARS (síndrome respiratória aguda grave) em humanos em 2003 foi causado por um betacoronavírus diferente que, acredita-se, se espalhou de morcegos para civetas e depois de civetas para humanos29. Nove anos depois, em 2012, o MERS (síndrome respiratória do oriente médio) foi causada pelo betacoronavírus MERS-CoV, que se suspeita ter se originado em morcegos e ter se espalhado de morcegos para camelos 20 anos antes e depois de camelos para humanos30. Pode haver outros casos de surtos de doenças transmitidos por morcegos para animais não humanos. A origem dos outros quatro coronavírus conhecidos por afetarem humanos com efeitos mais leves (os betacoronavírus HCoV-OC43 e HCoV-HKU1 e os alfacoronavírus HCoV-229E e HCoV-NL63) também é provavelmente zoonótica31.

Acredita-se que os mercados úmidos, que aglomeram muitos animais diferentes em condições apavorantes, foram responsáveis por facilitar o salto dos dois vírus SARS-CoV (2003 e 2019) entre as espécies na China32. Isso levou a críticas ocidentais à China devido a as consequências disso para a saúde humana e, em menor grau, por causa da maneira como os animais são explorados lá. Causar danos aos animais para benefício humano também é a norma no resto do mundo. Além disso, fazendas industriais ocidentais, similarmente, colocam um grande risco de surtos virais para humanos, com registros anteriores incluindo diferentes pandemias de H1N1 e vários outros tipos de influenza, além do crescente risco de pandemias de doenças bacterianas devido à resistência bacteriana aos antibióticos usados na pecuária atual33 (De fato, a Organização Mundial da Saúde tem alertado sobre o risco de pandemias há muito tempo, embora tivesse sido considerado mais provável que a próxima pandemia seria de uma gripe originária de uma fazenda.)34.

De um ponto de vista que leve em consideração todos os seres sencientes, essas considerações não são necessárias para se opor à exploração animal. Animais não humanos são seres sencientes que, como os humanos, são prejudicados quando sofrem e quando morrem. A razão pela qual devemos considerar moralmente alguém não deve ser a espécie à qual ele pertence, ou se ele tem certas capacidades intelectuais, mas se pode sentir e sofrer. Isso significa que deveria ser inaceitável explorar animais, como fazemos rotineiramente, em fazendas industriais e em mercados úmidos, bem como em outros tipos de fazendas e de negócios. Consequentemente, danos ou ameaças à saúde humana são desnecessários para se opor a essas formas de exploração. Isso se aplica igualmente à China, aos países ocidentais e ao resto do mundo.

Atitudes de desconsideração pelos animais não humanos têm consequências terríveis para aqueles que são obrigados a sofrer e morrer em fazendas e mercados. Também tendem a ser acompanhadas por uma desconsideração pelo que acontece com os animais na natureza. Isso pode ser visto em como o interesse pelas doenças zoonóticas se baseia principalmente na saúde humana. Como resultado, surtos de vírus que afetam animais não humanos, mas não afetam humanos, não foram tão bem estudados e não entraram na consciência pública, particularmente aqueles que afetam animais que vivem na natureza. É razoável supor que houve muitos casos de vírus espalhados de morcegos para outros tipos de animais não humanos que causaram enormes quantidades de sofrimento a esses animais. Podemos ver pelo menos alguns casos disso nos surtos nos hospedeiros intermediários do COVID-19, SARS e MERS. A maioria dos coronavírus que afetam animais não humanos é estudada muito pouco. Entre os coronavírus mais conhecidos estão alguns que afetam animais utilizados por humanos, como IBV (vírus da bronquite infecciosa aviária), PorCoV HKU15 (coronavírus porcino HKU15), PEDV (vírus da diarreia epidêmica porcina), RECV (coronavírus entérico de coelho), CCoV (coronavírus canino) e FCoV (coronavírus felino), embora outros que afetem animais em estado selvagem também tenham sido identificados, especialmente entre morcegos, assim como em alguns outros animais, desde pássaros a porcos-espinhos35.

 

Reações a zoonoses resultantes da exploração animal

Infelizmente, em muitos casos, animais selvagens foram mortos para reduzir a transmissão de doenças para humanos e para animais que os humanos exploram por várias razões. Massacres de animais como frangos, galinhas, porcos, gansos e outros durante surtos de doenças originários de fazendas tornaram-se um procedimento padrão. Às vezes, algo semelhante é feito aos animais selvagens36. Após o surto de SARS em humanos em 2003, o governo chinês ordenou a matança de 10.000 civetas apreendidas nos mercados, contra as indicações da OMS37. O professor de Zoologia da Universidade de Wuhan, Huabin Zhao, apontou que os habitantes locais estão expulsando morcegos que estão hibernando na cidade, capturando-os e libertando-os na natureza (onde eles podem não sobreviver, porque estão acostumados a viver na cidade), além de apoiar a matança38. A crença de que todos os tipos de espécies de morcegos , não apenas os morcegos-ferradura – que não hibernam em cidades como Wuhan – podem espalhar o COVID-19 se passarem perto de alguém também está presente em muitos outros países (da Indonésia ao Peru e aos EUA)39. Algumas pessoas possuem inclusive a visão de que os morcegos são de alguma forma culpados pela pandemia, em vez dos humanos que a causaram por conta do consumo de produtos de origem animal.

Mesmo que os morcegos pudessem transmitir a doença aos humanos, matá-los não seria apenas censurável a partir de uma posição que defenda a consideração moral de todos os seres sencientes: também não funcionaria para prevenir infecções zoonóticas. Um exemplo disso é fornecido novamente pelo caso da raiva, que, como vimos, pode de fato ser transmitida aos humanos por certos animais, incluindo morcegos. Já vimos que a vacinação pode funcionar para impedir a propagação desta doença. Em contraste a isso, atualmente entende-se que matá-los não funciona. Isso ocorre porque matar morcegos apenas reduz sua população. Não pode eliminar a doença. Mas os morcegos das colônias atacadas fugirão para outras colônias. Isso pode infectar novas colônias com a raiva, o que por sua vez pode infectar outros animais. Dessa forma, matar morcegos pode realmente ajudar a espalhar a doença mais rapidamente40. É necessário educar o público e, em alguns casos, os formuladores de políticas sobre tudo isso, a fim de evitar reações equivocadas que prejudicam os animais41.

Existem ações que são benéficas para os animais e que também são eficazes na proteção dos humanos contra as zoonoses. Isso inclui não usar os animais como recursos para alimentação e outros propósitos, e envolver-se ativamente em ajudar as populações de animais a combater as doenças de que sofrem. O primeiro tipo de ação, que implicaria que os humanos parariam de prejudicá-los, já foi apontada por outros42. Nossa preocupação aqui é com o segundo tipo.

 

Os animais selvagens poderiam ser vacinados contra os coronavírus em algum momento?

 Na primeira seção deste artigo, vimos como, apesar da desconsideração pelos animais, tem sido cada vez mais considerado que vacinar animais é mais eficaz na redução da transmissão de doenças do que matar esses animais43. A conexão entre a saúde de humanos e outros animais levou a ações em muitos casos que protegem a saúde de animais selvagens, resultando em benefícios substanciais para esses animais.

Três limitações aparentes à viabilidade de uma medida como esta são:

(i) a falta de uma vacina eficaz,

(ii) a falta de financiamento para implementar os programas de vacinação, e

(iii) a falta de um método eficaz para administrar a vacina

Na seção a seguir, consideraremos como essas limitações se aplicam à vacinação contra coronavírus, como o SARS-CoV-2.

 

A falta de vacinas

De todas essas limitações, a que mais parece destacada agora é a primeira. Para começar, programas desse tipo só seriam implementados depois que uma vacina fosse desenvolvida e distribuída entre os humanos. Isso significa que o momento para isso é incerto. Ainda não há vacina para a SARS. Depois que a epidemia de SARS foi controlada há mais de 15 anos, o financiamento para os esforços para desenvolver uma vacina contra a SARS sofreu um declínio dramático. Também não há vacina para MERS disponível, por razões semelhantes. Por outro lado, estão sendo empreendidos esforços substanciais para encontrar uma vacina humana para o COVID-19. Se uma vacina for desenvolvida no início da década de 2020, seria possível que vacinas para os animais sejam desenvolvidas na sequência, e um programa de vacinação de animais selvagens poderia ser implementado em algum momento da década de 202044.

Como vimos acima, pesquisas estão sendo realizadas para identificar e aprender mais sobre outros coronavírus que afetam os animais. Parece que, dada a visibilidade que os vírus ganharam agora por causa de seu potencial zoonótico, essas pesquisas aumentarão e mais conhecimentos serão adquiridos sobre eles nesta década. No entanto, existe um longo caminho até o desenvolvimento real de vacinas contra eles, e não parece realista esperar que muitos recursos sejam gastos com isso em curto prazo. Os tomadores de decisões em diferentes países têm um histórico de cuidar de ameaças zoonóticas quase exclusivamente quando os riscos à saúde ou à economia humana são claramente reconhecíveis e imediatos. Provavelmente, eles irão priorizar outras coisas nos próximos anos de crise econômica.

Ainda é possível que isso mude em algum momento futuro, mesmo na ausência de preocupação com os animais, à medida que mais conhecimento é reunido sobre os coronavírus potencialmente zoonóticos que afetam os animais com os quais os humanos interagem e como resultado do medo de uma nova pandemia causada por coronavírus.

 

Restrições de financiamento para a implementação de programas de vacinação

Assim como vimos que o financiamento pode ser determinante para o desenvolvimento de vacinas contra diferentes coronavírus, também pode determinar se os programas de vacinação de animais selvagens serão alguma vez implementados ou não. Como mencionado acima, como os interesses de animais não humanos são geralmente desconsiderados, é provável que sejam tomadas medidas somente quando for percebida uma conexão clara com os interesses humanos. No entanto, programas bem sucedidos de vacinação de animais selvagens mostram que, quando esses interesses estão presentes, o financiamento é prontamente fornecido, mesmo quando os programas são ambiciosos.

Portanto, é provável que, nos próximos anos, o financiamento para a vacinação de animais não humanos contra os coronavírus só esteja disponível se a existência de reservatórios para uma doença grave que ameaça humanos, como a COVID-19, for identificada em populações de animais. Quanto aos coronavírus que não sejam os que já estão presentes nas populações humanas, parece que, como apontado acima, medidas preventivas direcionadas a animais não humanos provavelmente não ocorrerão em curto prazo ou mesmo em médio prazo, embora não deixe de ser razoável pensar que isso pode mudar no futuro.

 

Desafios técnicos

Entre as três limitações listadas acima, a viabilidade pode representar um desafio técnico menor do que os outros dois. Em animais como civetas e cães-guaxinim45, métodos como aqueles utilizados ​​para a vacinação anti rábica poderiam ser aplicados para vacinações contra outros vírus. Algo semelhante poderia acontecer para outros mamíferos de porte grande ou médio. Parece que não haveria um grande obstáculo técnico para vaciná-los contra os coronavírus, e isso poderia acontecer caso fosse descoberto que são portadores de vírus que poderiam prejudicar os humanos.

 Os programas de vacinação de morcegos enfrentam complicações que não estão presentes em outros mamíferos, mas que não são insolúveis. Algumas espécies podem comer iscas com a vacina, mas outras não. Para obter algumas pistas sobre como esse problema pode ser abordado, veremos experiências com a vacinação de morcegos contra outras doenças (embora essas experiências possam apenas nos dizer a situação no momento atual, porque este é um campo que poderá ver desenvolvimentos nos próximos anos).

 

Doença do nariz branco

A doença do nariz branco proporciona uma comparação interessante porque infecta morcegos em grandes números, embora seja uma infecção por fungos e não por vírus. É causada pelo fungo Pseudogymnoascus destructans e prejudica os morcegos ao interromper sua hibernação, fazendo-os acordar e desperdiçar reservas críticas de energia. Normalmente, causa uma taxa de mortalidade terrível de 90% em algumas espécies, mas com a administração de probióticos essa taxa é reduzida pela metade46. Acredita-se que o fungo tenha matado mais de 6 milhões de morcegos na América do Norte. O probiótico pode ser administrado por meio de uma névoa47.

Embora as vacinas contra infecções fúngicas sejam raras, os pesquisadores recentemente propuseram o desenvolvimento de uma vacina contra o Pseudogymnoascus destructans e a vacinação de morcegos na América do Norte contra ele. O método de implantá-la não pode ser individualizado, mas em um líquido, gel ou spray que possa ser administrado em massa a morcegos48. Esses métodos de dispersão já foram estudados para outros casos nesta pesquisa49 e parece razoável supor que o a pesquisa também pode ser aplicável a outros programas de vacinação50.

 

Raiva (em morcegos)

Existem vários estudos sobre vacinação de morcegos contra a raiva e vacinas eficazes foram encontradas51. O objetivo desses estudos e propostas para vacinar morcegos vampiros contra a raiva é reduzir a disseminação da raiva de morcegos vampiros para humanos e vacas (por causa do valor econômico para os humanos pela sua exploração). Ainda não foram feitos em larga escala fora dessas tentativas, embora a pesquisa seja favorável a fazê-los por causa de sua relação custo-benefício, mesmo somente de uma perspectiva especista52. Outros tipos de morcegos também podem ser vacinados53.

De modo similar ao que é feito para combater a doença do nariz branco, os cientistas desenvolveram uma vacina contra a raiva em gel que pode ser disseminada entre os morcegos quando eles fazem contato uns com os outros. Os morcegos depois lambem o gel quando se aliciam. Dessa forma, para cada morcego que aplicam o gel, são protegidos em média 2,6 morcegos54. Esse parece ser um método de aplicação promissor que pode ser usado no futuro e parece razoável que possa ser usado para distribuir vacinas contra coronavírus em morcegos.

À luz de tudo isso, parece que a principal questão quando o assunto é se os animais poderiam ser vacinados contra os coronavírus não são impedimentos técnicos ou o eventual desenvolvimento de uma vacina, mas sim se a presença de tais vírus em populações de animais seria considerada uma ameaça suficientemente relevante à saúde humana e aos interesses econômicos. Se a vacinação for feita, seria algo muito benéfico para os animais afetados, bem como para muitos outros, como veremos a seguir.

 

Como todo programa de vacinação de animais selvagens também pode ser benéfico para outros animais

As zoonoses que se espalham de animais não humanos para humanos são uma minoria daquelas que ocorrem: a maioria ocorre entre diferentes espécies de animais não humanos. É por isso que, como mencionado acima, no caso dos morcegos, a vacinação de certos animais pode ajudar não apenas os animais dessas populações, mas também muitos outros animais não humanos para os quais eles poderiam ter passado a doença. Este pode ser o caso especialmente dos morcegos, porque eles têm uma das maiores cargas de doenças entre os mamíferos selvagens. Entre outras condições, eles são prejudicados por diversas doenças causadas por coronavírus. De fato, eles abrigam mais da metade de todos os coronavírus conhecidos55. Alguns fatores que podem contribuir para essa alta carga de doenças são o fato de terem alta diversidade genética (existem muitas espécies e muitos indivíduos morcegos), terem vida longa, e se amontoarem em grandes grupos56. Além disso, os morcegos têm um forte sistema imunológico, o que significa que os vírus que os infectam precisam ser virulentos. Isso, por sua vez, significa que esses vírus tendem a ser mais prejudiciais para os outros animais que as doenças saltam do que para os morcegos. Os coronavírus, em particular, têm uma alta taxa de recombinação e mutação, o que aumenta a probabilidade de infectar novos tipos de animais57. Além disso, como os morcegos voam, eles podem espalhar doenças por uma área mais ampla. Isso torna a presença contínua de coronavírus e outros vírus em morcegos algo perigoso para outros animais. Há outro benefício importante quando qualquer novo programa de vacinação ocorre: obtemos mais informações sobre como conduzir futuros programas de vacinação que podem ajudar os animais. Por essa razão, cada novo programa de vacinação de animais selvagens pode ser muito útil para um trabalho mais abrangente no futuro.

Além disso, esses programas podem ajudar a aumentar a preocupação com os animais sencientes em geral, o que será crucial não apenas em curto prazo, mas principalmente em longo prazo, para melhorar sua situação. Para começar, mostrar ao público uma alternativa à matança que funciona melhor e ajuda os animais em vez de prejudicá-los pode facilitar o aumento da preocupação por eles. Isso é semelhante ao que acontece quando a disponibilidade de alternativas à exploração animal leva a menos pessoas dando apoio à exploração animal e mais apoio à consideração moral de suas vítimas.

O que é mais importante, como mencionado acima, os animais na natureza sofrem devido a muitos fatores diferentes. A preocupação com eles já fez com que pessoas de lugares diferentes se envolvessem em maneiras diferentes de ajudá-los. Esses esforços foram capazes de ajudar apenas uma pequena parte daqueles que precisam de ajuda. Porém, essas pessoas conseguiram tornar isso uma questão mais visível. Esses exemplos vívidos também ajudam a combater a alegação de que, por mais difícil que seja a situação desses animais, não há como mudar isso. Em vez disso, devemos incentivar mais esforços para ajudar mais os animais.

Essa é uma preocupação ainda maior, porque no futuro nossa capacidade de ajudar os animais na natureza poderá crescer substancialmente. Por esse motivo, é fundamental que promovamos a preocupação com os animais, para que medidas sejam tomadas quando ajudá-los for possível. Programas bem-sucedidos de vacinação de animais selvagens, mesmo quando são realizados para promover interesses humanos, ajudam a mostrar que seria viável fazê-lo por preocupação com os próprios animais não humanos. Isso também pode gerar mais confiança em outras iniciativas para ajudar os animais selvagens, como, por exemplo, programas de resgate para animais vítimas de eventos meteorológicos extremos ou iniciativas para melhorar as vidas dos animais em áreas urbanas, suburbanas e agrícolas.

Finalmente, os programas de vacinação também desafiam outras objeções a ajudar os animais selvagens. Algumas pessoas rejeitam ajudar os animais que vivem na natureza porque pensam que devemos deixá-los isolados, mesmo quando isso significa deixá-los sofrer e morrer, por exemplo, devido a alguma doença dolorosa. Por outro lado, poucas pessoas se opõem a programas de vacinação como os que vimos acima, que também têm efeitos benéficos para os humanos. Isso representa um duplo padrão que mantém como aceitável intervir para realizar interesses humanos, mas não para realizar os interesses de outros animais. Mostra uma atitude especista que parece subjacente a essa objeção em ajudar os animais que vivem na natureza. Além disso, enxergasr a viabilidade de maneiras de ajudar pode aumentar o suporte a elas.

 

Notas

1 Animal Ethics (2020) Introduction to wild animal suffering: A guide to the issues, Oakland: Animal Ethics [acessado em 02 de maio de 2020]. Veja também Faria, C. & Paez, E. (2015) “Animals in need: The problem of wild animal suffering and intervention in nature”, Relations: Beyond Anthropocentrism, 3, pp. 7-13 [acessado em 03 de maio de 2020]; Horta, O. (2017) “Animal suffering in nature: The case for intervention”, Environmental Ethics, 39, pp. 261-279; Alonso, W. J. & Schuck-Paim, C. (2017) “Life-fates: Meaningful categories to estimate animal suffering in the wild“, Animal Ethics [acessado em 02 de maio de 2020]; Hecht, L. B. B. (2019) “Accounting for demography in the assessment of wild animal welfare”, bioRxiv, Ocober 28 [acessado em 1 de maio de 2020].

2 Wobeser, G. A. (2005) Essentials of disease in wild animals, New York: John Wiley and Sons.

3 Animal Ethics (2020) Surveying attitudes toward helping wild animals among scientists and students, Oakland: Animal Ethics [acessado em 01 de maio de 2020]

4 World Health Organization (2020) “Rabies”, Newsroom, WHO, 21 April [acessado em 05 de maio de 2020].

5 Isso não significa apenas muito menos estresse e risco de lesões, porque os animais não precisam ser manipulados ou capturados para vaciná-los: é também o que realmente permite que o processo de vacinação alcance um número muito grande de animais. Ver Rupprecht, C. E.; Hanlon, C. A. & Slate, D. (2003) “Oral vaccination of wildlife against rabies: Opportunities and challenges in prevention and control”, Developments in Biologicals, 119, pp. 173-184.

6 Robbins, A. H.; Borden, M. D.; Windmiller, B.S.; Niezgoda, M.; Marcus, L. C.; O’Brien, S. M.; Kreindel, S. M.; McGuill, M. W.; DeMaria, A., Jr.; Rupprecht, C. E. & Rowell, S. (1998) “Prevention of the spread of rabies to wildlife by oral vaccination of raccoons in Massachusetts”, Journal of the American Veterinary Medical Association, 213, pp. 1407-1412.

7 Fearneyhough, M. G.; Wilson, P. J.; Clark, K. A.; Smith, D. R.; Johnston, D. H.; Hicks, B. N. & Moore, G. M. (1998) “Results of an oral rabies vaccination program for coyotes”, Journal of the American Veterinary Medical Association, 212, pp. 498-502.

8 Slate, D.; Rupprecht, C. E.; Rooney, J. A.; Donovan, D.; Lein, D. H. & Chipman, R. B. (2005) “Status of oral rabies vaccination in wild carnivores in the United States”, Virus Research, 111, pp. 68-76.

9 Driciru, M.; Rwego, I. B.; Asiimwe, B.; Travis, D. A.; Alvarez, J.; VanderWaal, K. & Pelican, K. (2018) “Spatio-temporal epidemiology of anthrax in Hippopotamus amphibious in Queen Elizabeth Protected Area, Uganda”, PLOS ONE, 13 (11) [acessado em 04 de maio de 2020].

10 Luhn, A. (2016) “Anthrax outbreak triggered by climate change kills boy in Arctic Circle”, The Guardian, 1 August [acessado em 02 de maio de 2020].

11 Rengel, J. & Böhnel, H. (1994) “Vorversuche zur oralen Immunisierung von Wildtieren gegen Milzbrand”, Berliner und Münchener tierärztliche Wochenschrift, 107, pp. 145-149; Turnbull, P. C. B.; Tindall, B. W.; Coetzee, J. D.; Conradie, C. M.; Bull, R. L.; Lindeque, P. M. & Huebschle, O. J. B. (2004) “Vaccine-induced protection against anthrax in cheetah (Acinonyx jubatus) and black rhinoceros (Diceros bicornis)”, Vaccine, 22, pp. 3340-3347.

12 Ndeereh, D.; Obanda, V.; Mijele, D. & Gakuya, F. (2012) “Medicine in the wild: Strategies towards healthy and breeding wildlife populations in Kenya”, The George Wright Forum, 29, pp. 100-108 [acessado em 02 de maio de 2020].

13 Queensland. Department of Employment, Economic Development and Innovation (2002) Rinderpest, Brisbane: Queensland Government.

14 Pearce, F. (2000) “Inventing Africa”, New Scientist, 167, August 12 [acessado em 07 de maio de 2020].

15 World Organisation for Animal Health (2011) “2011 – Global freedom from rinderpest”, OIE [acessado em 5 de maio de 2020].

16 Alcott, D. (2018) “How a cattle vaccine helped save giraffes”, That’s Life [Science], 15 October [acessado em 2 de maio de 2020].

17 World Organisation for Animal Health (2019) “Brucellosis”, OIE [acessado em 5 de maio de 2020].

18 Ibid.

19 Buffalo Field Campaign (2016) “Yellowstone bison and brucellosis: Persistent mythology”, The Brucellosis Myth, Buffalo Field Campaing [acessado em 7 de maio de 2020]. Infelizmente, a prática atual é matar centenas de bisontes por ano para aplacar os fazendeiros que temem que a doença se espalhe para suas vacas em cativeiro. Ver Bryan, C. (2016) “Yellowstone will close off park to conduct secret slaughter”, The Dodo, 02/03/2016 [acessado em 6 de maio de 2020].

20 Chewy (2019) “Plague infection in prairie dogs”, PetMD, Sep 14 [acessado em 7 de maio de 2020].

21 Prairie Dog Coalition (2018) Prairie dogs, people and plague, Boulder: The Humane Society of the United States [acessado em 2 de maio de 2020].

22 Leggett, H. (2009) “Plague vaccine for prairie dogs could save endangered ferret”, Wired, 08.04.09 [acessado em 2 de maio de 2020].

23 Torres, L. (2012) “Should we vaccinate wild apes?”, Global Animal [acessado em 2 de maio de 2020]; Ryan S. J. & Walsh, P. D. (2011) “Consequences of non-intervention for infectious disease in African great apes”, PLOS ONE, 6 (12) [acessado em 5 de maio de 2020].

24 Wildlife Conservation Society (2019) “Study: Community-based wildlife carcass surveillance is key for early detection of Ebola virus in Central Africa”, WCS Newsroom, August 28 [acessado em 5 de maio de 2020].

25 Saif, L. J. (2004) “Animal coronaviruses: What can they teach us about the severe acute respiratory syndrome?”, Revue scientifique et technique (Office international des épizooties), 23, pp. 643-660; Centers for Disease Control and Prevention (2017) “Zoonotic diseases”, One Health, CDC, July 14 [acessado em 2 de maio de 2020].

26 Atualmente, os coronavírus são classificados em quatro gêneros, alfa-coronavírus e betacoronavírus, que infectam mamíferos, e deltacoronavírus e gammacoronavírus, que também podem infectar mamíferos, mas geralmente infectam aves.

27 Andersen, K. G.; Rambaut, A.; Lipkin, W. I.; Holmes, E. C. & Garry, R. F. (2020) “The proximal origin of SARS-CoV-2”, Nature Medicine, 26, pp. 450-452 [acessado em 16 de abril de 2020].

28 Biao K.; Ming W.; Huaiqi J.; Huifang X.; Xiugao J.; Meiying Y.; Weili L.; Han Z.; Kanglin W.; Qiyong L.; Buyun C.; Yanmei X.; Enmin Z.; Hongxia W.; Jingrong Y.; Guichang L.; Machao L.; Zhigang C.; Xiaobao Q.; Kai C.; Lin D.; Kai G.; Yu-teng Z.; Xiao-zhong Z.; Yue-Ju F.; Yu-Fan G.; Rong H.; Dongzhen Y.; Yi G. & Jianguo X. (2005) “Molecular evolution analysis and geographic investigation of severe acute respiratory syndrome coronavirus-like virus in palm civets at an animal market and on farms”, Journal of Virology, 79, pp. 11892-11900 [acessado em 4 de maio de 2020].

29 Vijaykrishna, D.; Smith, G. J.; Zhang J. X.; Peiris, J. S. M.; Chen H. & Guan Y. (2007) “Evolutionary insights into the ecology of coronaviruses”, Journal of Virology, 81, pp. 4012-4020 [acessado em 3 de maio de 2020].

30 Ben H.; Xingyi G.; Lin-Fa W. & Zhengli S. (2015) “Bat origin of human coronaviruses”, Virology Journal, 12 [acessado em 4 de maio de 2020]. SARS e MERS eram doenças bastante mortais em humanos, com aproximadamente 10% e 35% de taxa de mortalidade, respectivamente, o que é muito maior que o COVID-19. No entanto, eles não eram tão difíceis de conter quanto o COVID-19.

31 Vijgen, L.; Keyaerts, E.; Moës, E.; Thoelen, I.; Wollants, E.; Lemey, P.; Vandamme, A. M. & Van Ranst, M. (2005) “Complete genomic sequence of human coronavirus OC43: Molecular clock analysis suggests a relatively recent zoonotic coronavirus transmission event”, Journal of Virology, 79, pp. 1595-1604 [acessado em 4 de maio de 2020]; Huynh, J.; Li, S.; Yount, B.; Smith, A.; Sturges, L.; Olsen, J. C.; Nagel, J.; Johnson, J. B.; Agnihothram, S.; Gates, J. E. & Frieman, M. B. (2012) “Evidence supporting a zoonotic origin of human coronavirus strain NL63”, Journal of Virology, 86, pp. 12816-12825 [acessado em 3 de maio de 2020]; Ying T.; Mang S.; Chommanard, C.; Queen, K.; Jing Z.; Markotter, W.; Kuzmin, I. V.; Holmes, E. C. Suxiang T. (2017) “Surveillance of bat coronaviruses in Kenya identifies relatives of human coronaviruses NL63 and 229E and their recombination history”, Journal of Virology, 91 [acessado em 2 de maio de 2020]; Zi-Wei Y.; Shuofeng Y.; Kit-San Y.; Sin-Yee F.; Chi-Ping C. & Dong-Yan J. (2020) “Zoonotic origins of human coronaviruses”, International Journal of Biological Sciences, 16, pp. 1686-1697 [acessado em 4 de maio de 2020].

32 Guan Y.; Zheng B. J.; He Y. Q.; Liu X. L.; Zhuang Z. X.; Cheung C. L.; Luo S. W.; Li P. H.; Zhang L. J.; Guan Y. J.; Butt, K. M.; Wong K. L.; Chan K. W.; Lim W.; Shortridge, K. F.; Yuen K. Y.; Peiris, J. S. & Poon L. L. (2003) “Isolation and characterization of viruses related to the SARS coronavirus from animals in southern China”, Science, 302, pp. 276-278; Wu F.; Zhao S.; Yu B.; Chen Y. M.; Wang W.; Song Z. G.; Hu Y.; Tao Z. W.; Tian J. H.; Pei Y. Y & Yuan M. L. (2020) “A new coronavirus associated with human respiratory disease in China”, Nature, 579, pp. 265-269 [acessado em 3 de maio de 2020]; Zhou P.; Yang X. L.; Wang X. G.; Hu B.; Zhang L.; Zhang W.; Si H. R.; Zhu Y.; Li B.; Huang C. L. & Chen H. D. (2020) “A pneumonia outbreak associated with a new coronavirus of probable bat origin”, Nature. 579, pp. 270-273 [acessado em 3 de maio de 2020].

33 Fineberg, H. V. (2014) “Pandemic preparedness and response — lessons from the H1N1 influenza of 2009”, New England Journal of Medicine, 370, pp. 1335-1342 [acessado em 3 de maio de 2020]; Manyi-Loh, C.; Mamphweli, S.; Meyer, E. & Okoh, A. (2018) “Antibiotic use in agriculture and its consequential resistance in environmental sources: Potential public health implications”, Molecules, 23 (4) [acessado em 3 de maio de 2020]; Van Boeckel, T. P.; Pires, J.; Silvester, R.; Zhao, C.; Song, J.; Criscuolo, N. G.; Gilbert, M.; Bonhoeffer, S. & Laxminarayan, R. (2019) “Global trends in antimicrobial resistance in animals in low-and middle-income countries”, Science, 365, pp. 1251-1252.

34 World Health Organization (2019) Global influenza strategy 2019-2030, World Health Organization, p. 4 [acessado em 2 de maio de 2020]. Veja também Morse, S. S.; Mazet, J. A.; Woolhouse, M.; Parrish, C. R.; Carroll, D.; Karesh, W. B.; Zambrana-Torrelio, C.; Lipkin, W. I. & Daszak, P. (2012) “Prediction and prevention of the next pandemic zoonosis”, The Lancet, 380, pp. 1956-1965 [acessado em 2 de maio de 2020].

35 Infelizmente, os danos causados por outros coronavírus aos animais que vivem na natureza não são bem conhecidos. Existem muitos coronavírus que infectam muitos tipos diferentes de animais, portanto os sintomas variam bastante. Sabemos que em mamíferos e aves eles causam uma variedade de sintomas principalmente no sistema respiratório e no sistema gastrointestinal, mas também podem afetar o fígado e o sistema nervoso. Ver Bande, F.; Arshad, S. S.; Bejo, M. H.; Moeini, H. & Omar, A. R. (2015) “Progress and challenges toward the development of vaccines against avian infectious bronchitis”, Journal of Immunology Research [acessado em 3 de maio de 2020]; Brook, C. E. & Dobson, A. P. (2015) “Bats as ‘special’ reservoirs for emerging zoonotic pathogens”, Trends in Microbiology, 23, pp. 172-180 acessado em 4 de maio de 2020].

36 Outro exemplo dessas medidas envolvendo morcegos tem sido a matança de morcegos-das-frutas, questionado em Olival, K. J. (2016) “To cull, or not to cull, bat is the question”, EcoHealth, 13, pp. 6-8 [acessado em 4 de maio de 2020].

37 CBS Interactive (2004) “Civet cat slaughter to fight SARS“, CBS News, January 11 [acessado em 16 de abril de 2020].

38 Huabin Z. (2020) “COVID-19 drives new threat to bats in China”, Science, 367, p. 1436 [acessado em 2 de maio de 2020].

39 South China Morning Post (2020) “Hundreds of bats culled in Indonesia to ‘prevent spread’ of the coronavirus”, South China Morning Post, YouTube, 16 mar. [acessado em 2 de maio de 2020]; Phys.org (2020) “Peru saves bats blamed for coronavirus”, Biology, Phys.org, March 25 [acessado em 4 de maio de 2020]; Morris, J. (2020) “Should we be worried about bats in San Jose making us sick?”, Mercury News, February 14 [acessado em 3 de maio de 2020].

40 Erickson-Michigan, J. (2013) “Culling vampire bats may spread rabies faster”, Futurity, December 3rd [acessado em 28 de abril de 2020].

41 Alagona, P. (2020) “It’s wrong to blame bats for the coronavirus epidemic”, The Conversation, 24 March [acessado em 4 de maio de 2020]; Dalton, J. (2020) “Coronavirus: Exterminating bats blamed for spreading Covid-19 would increase risk of further diseases, warn experts”, The Independent, 19 April [acessado em 2 de maio de 2020]; Ghosh, S. (2020) “Bats not the enemy in the fight against COVID-19”, Mongabay, 24 April [acessado em 1 de maio de 2020].

42 Ver, por exemplo, Singer, P. & Cavalieri, P. (2020) “The two dark sides of COVID-19”, Project Syndicate, Mar 2 [acessado em 4 de maio de 2020].

43 Aubert, M. F. A. (1999) “Costs and benefits of rabies control inwildlife in France”, Revue scientifique et technique (International Office of Epizootics), 18, pp. 533-543; Blancou, J.; Pastoret, P. P.; Brochier, B.; Thomas, I. & Bögel, K. (1988) “Vaccinating wild animals against rabies”, Reviews in Science Technology, 7, pp. 1005-1013 [acessado em 7 de maio de 2020].

44 Idealmente, podemos especular que uma maneira de impedir pandemias potenciais causadas por outros vírus que ainda não afetam os humanos consistiria em estudá-los e desenvolver vacinas para eles antes que passem para os humanos, embora não seja realista esperar que algo assim aconteça. nos próximos anos.

45 Biao K.; Ming W.; Huaiqi J.; Huifang X.; Xiugao J.; Meiying Y.; Weili L.; Han Z.; Kanglin W.; Qiyong L.; Buyun C.; Yanmei X.; Enmin Z.; Hongxia W.; Jingrong Y.; Guichang L.; Machao L.; Zhigang C.; Xiaobao Q.; Kai C.; Lin D.; Kai G.; Yu-teng Z.; Xiao-zhong Z.; Yue-Ju F.; Yu-Fan G.; Rong H.; Dongzhen Y.; Yi G. & Jianguo X. (2005) “Molecular evolution analysis and geographic investigation of severe acute respiratory syndrome coronavirus-like virus in palm civets at an animal market and on farms”, op. cit.

46 Hoyt, J. R.; Langwig, K. E.; White, J. P.; Kaarakka, H. M.; Redell, J. A.; Parise, K. L.; Frick, W. F.; Foster, J. T. & Kilpatrick, A. M. (2019) “Field trial of a probiotic bacteria to protect bats from white-nose syndrome”, Scientific Reports, 9 [acessado em 2 de maio de 2020].

47 O’Neill, K. (2019) “Spraying bats with ‘good’ bacteria may combat deadly white nose syndrome”, Science News, July 15 [acessado em 2 de maio de 2020].

48 Cushman, W. (2019) “The scientific frontier of vaccinating bats against a deadly virus“, WisContext, Nov. 8 [acessado em 16 de abril de 2020].

49 O’Neill, K. (2019) “Spraying bats with ‘good’ bacteria may combat deadly white nose syndrome”, op. cit.

50 Garner, S. (2018) “How to vaccinate a wild bat”, Scientific American, November 22 [acessado em 1 de maio de 2020].

51 Esses estudos se concentraram na vacinação de morcegos vampiros (que representam apenas três espécies das 1.200 espécies de morcegos do mundo e vivem apenas na América Latina). Erickson-Michigan, J. (2013) “Culling vampire bats may spread rabies faster”, op. cit.

52 Aguilar Sétien, A.; Brochier, B.; Tordo, N.; de Paz, O.; Desmettre, P.; Péharpré, D. & Pastoret, P.-P. (1998) “Experimental rabies infection and oral vaccination in vampire bats (Desmodus rotundus)”, Vaccine, 16, pp. 1122-1126.

53  O Bat World Sanctuary vacina todos os morcegos de lá contra a raiva desde 1990. Lollar, A. (2004) “Vaccinating insectivorous bats against rabies”, International Bat Rehabilitation Journal, 2 (1), p. 1 [acessado em 2 de maio de 2020].

54 Bakker, K. M.; Rocke, T. E.; Osorio, J. E.; Abbott, R. C.; Tello, C.; Carrera, J. E.; Valderrama, W.; Shiva, C.; Falcon, N. & Streicker, D. G. (2019) “Fluorescent biomarkers demonstrate prospects for spreadable vaccines to control disease transmission in wild bats”, Nature Ecology & Evolution, 3, pp. 1697-1704.

55 Ben H.; Xingyi G.; Lin-Fa W. & Zhengli S. (2015) “Bat origin of human coronaviruses”, op. cit.

56 Calisher, C. H.; Childs, J. E.; Field, H. E.; Holmes, K. V. & Schountz, T. (2006) “Bats: Important reservoir hosts of emerging viruses”, Clinical Microbiology Reviews, 19, pp. 531-545 [acessado em 2 de maio de 2020]; Luis, A. D.; Hayman, D. T.; O’Shea, T. J.; Cryan, P. M.; Gilbert, A. T.; Pulliam, J. R.; Mills, J. N.; Timonin, M. E.; Willis, C. K.; Cunningham, A. A.; Fooks, A. R.; Rupprecht, C. E.; Wood, J. L. N. & Webb, C. T. (2013) “A comparison of bats and rodents as reservoirs of zoonotic viruses: Are bats special?”, Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, 280 (1756) [acessado em 3 de maio de 2020].

57 Lau S. K. P.; Woo P. C. Y.; Li K. S. M.; Yi H.; Hoi-Wah T.; Wong B. H. L.; Wong S. S. Y.; Suet-Yi L.; Kwok-Hung C. & Kwok-Yung Y. (2005) “Severe acute respiratory syndrome coronavirus-like virus in Chinese horseshoe bats”, Proceedings of the National Academy of Sciences, 102, pp. 14040-14045 [acessado em 3 de maio de 2020].