A exploração dos invertebrados em números

A exploração dos invertebrados em números

Os animais invertebrados são a esmagadora maioria dos animais explorados pelos humanos, mas quase nunca aparecem nas estatísticas. Os gráficos abaixo reúnem as estimativas disponíveis sobre quantos indivíduos são mortos a cada ano em todo o mundo nas formas de exploração de maior escala.

Essas estimativas variam muito, em alguns casos por um fator superior a quatro entre o valor mínimo e o máximo. O motivo é revelador: a maioria desses animais não é contabilizada individualmente, mas por peso.

Os mamíferos e as aves, que concentram quase toda a atenção pública e a maior parte do ativismo, formam a menor coluna do gráfico: representam menos de 0,25% do total, ou seja, menos de um em cada 400 animais mortos. As duas colunas mais altas correspondem a animais raramente mencionados: as cochonilhas, mortas para produzir um corante, e os camarões pescados no mar. Vale destacar também os 462 bilhões a 1,1 trilhão de animais aquáticos que morrem não para serem comidos por humanos, mas para alimentar outros animais criados em cativeiro.

 

Inclui a cochonilha, utilizada como corante alimentar (carmim INS 120) em iogurtes, sucos, embutidos, doces e cosméticos.

 

O gráfico seguinte compara o total de vertebrados e de invertebrados mortos nessas formas de exploração:

 

Agrega as mesmas fontes indicadas nos gráficos 1 e 3.

 

Morrem por ano entre 14 e 24 vezes mais invertebrados que vertebrados. A diferença se mantém mesmo na comparação mais conservadora possível: a estimativa mínima para os invertebrados ainda é quase nove vezes maior que a estimativa máxima para os vertebrados. Em outras palavras, cerca de 19 de cada 20 animais mortos nessas formas de exploração são invertebrados, e é precisamente sobre eles que existem menos dados, menos legislação e menos ativismo.

O gráfico seguinte apresenta dados sobre os animais invertebrados mais explorados:

 

As referências das demais categorias são as indicadas no primeiro gráfico.

 

Duas formas de exploração concentram cerca de 90% desse total: a produção do corante carmim e a pesca de camarões. O caso dos bichos-da-seda também merece atenção: apenas para produzir seda morrem a cada ano entre cinco e doze vezes mais animais do que todos os mamíferos e aves mortos para alimentação. São animais pequenos, e o tamanho de um indivíduo nada diz sobre sua capacidade de sofrer.

Por fim, é importante lembrar que esses números cobrem apenas a exploração direta para alimentação e vestuário. Não incluem as abelhas exploradas na apicultura: não existe uma estimativa global de quantas morrem a cada ano em consequência dessa exploração. Também não incluem os invertebrados mortos por inseticidas nem os que vivem na natureza, cujas populações são ordens de magnitude maiores que todas as apresentadas aqui.


Notas

1 Our World in Data (2018) “Number of animals slaughtered for meat, World, 1961 to 2018”, Our World in Data [acessado em 24 de agosto de 2026]; Sanders, B. (2018) “Global animal slaughter statistics and charts”, Faunalytics, 10 de outubro [acessado em 24 de agosto de 2026]

2 Fishcount (2019) “Fishcount estimates of numbers of individuals killed in (FAO) reported fishery production”, Fishcount: Reducing Suffering in fisheries [acessado em 24 de agosto de 2026].

3 Fishcount, Ibid.

4 Fishcount, Ibid.

5 Fishcount, Ibid.

6 Rowe, A. (2020) “Insects raised for food and feed — global scale, practices, and policy”, Rethink Priorities, 29 de junho [acessado em 24 de agosto de 2026].

7 Rowe, A. (2020) “Global cochineal production: scale, welfare concerns, and potential interventions”, Effective Altruism Forum, 11 de fevereiro [acessado em 24 de agosto de 2026].

8 Waldhorn, D. & Autric, E. (2023) “Shrimp: The animals most commonly used and killed for food production”, Rethink Priorities, 11 de agosto [acessado em 24 de agosto de 2026].

9 Rowe, A. (2021) “Silk production: global scale and animal welfare issues”, Rethink Priorities, 19 de abril [acessado em 24 de agosto de 2026].