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Doenças na natureza

Existem muitas doenças diferentes que afetam animais não humanos, e o dano que elas causam é igualmente diverso. Como sabemos, doenças podem ser muito dolorosas. Na verdade, muitas vezes não percebemos que pode ser possível vacinar e tratar animais que são mortos lentamente por doenças e evitar os danos causados a eles. Isso é explicado em nossa página Vacinação e tratamento de animais doentes e feridos.

Doenças também podem perturbar as vidas dos animais. As doenças não apenas levam os animais a sofrerem, e em alguns casos a morrerem por fim, mas também podem prejudicar significativamente sua capacidade de sobreviver. Isso pode incluir serem incapazes de se alimentarem adequadamente ou de encontrar abrigos adequados quando necessitam. Por sua vez, isso pode piorar os efeitos das condições ambientais que os animais sofrem e indiretamente levar a mais mortes1.

Como é difícil perceber quando um animal está doente, há uma tendência a subestimar os danos que os animais na natureza sofrem devido a doenças. Isso é assim para uma ampla variedade de danos que sofrem, mas ocorre especialmente no caso das doenças. As doenças que afetam animais na natureza mais conhecidas são aquelas que podem ser transmitidas para humanos ou para animais domesticados2. Mas também há muitas doenças que afetam outros animais, como aqueles que estão em ambientes selvagens.

Algumas doenças têm sintomas que podem ser reconhecidos visualmente. Entretanto, por toda a história natural muitos animais têm sido selecionados para evitar mostrar quaisquer sinais de dor ou angústia, já que aqueles que mostravam eram visados por predadores. Portanto muitas vezes é difícil perceber que um animal está doente. Isso significa que um animal pode estar sofrendo muito devido a uma condição que somos incapazes de reconhecer. Na verdade, muitas doenças não podem ser diagnosticadas a menos que se realize exames médicos no animal doente.

Entretanto, conforme mais estudos sobre como os animais são afetados por doenças na natureza são conduzidos, nosso conhecimento sobre essa área está começando a mudar3. Mais e mais doenças que afetam animais na natureza agora são reconhecidas e diagnosticadas.

Existem tantas doenças que afetam animais não humanos na natureza que elas não podem ser todas listadas aqui. Entretanto, as seguintes referências listam alguns exemplos:

Informações sobre doenças veterinárias – Center for Food Security and Public Health

Lista A-Z de doenças e pragas veterinárias importantes, Queensland Government, Primary Industries and Fisheries

Informações sobre doenças veterinárias, USDA

Doenças em animais selvagens: Sumário, Wildlife Data Integration Network

Doenças veterinárias – World Organisation for Animal Health4

Algumas doenças são hereditárias, enquanto outras são consequências de infecções por vírus, bactérias ou príons que são transmitidos por contágio, por exemplo, por parasitas5.

Essas doenças não afetam apenas animais domésticos, mas também aqueles que vivem na natureza. É uma crença comum pensar que é perfeitamente natural para os animais na natureza sofrerem devido a doenças e que, portanto, não há nada de errado com isso. A ideia de ajudar animais não humanos na natureza é algo que muitas pessoas nunca consideraram. A princípio pode mesmo parecer imoral ou absurdo fazer isso. Aqui estão duas razões principais para tais objeções:

Uma é que seria imoral curar ou vacinar animais na natureza. Essas preocupações são discutidas no texto Animais na natureza podem ser prejudicados da mesma forma que animais domesticados e humanos?

A segunda é a afirmação de que simplesmente não é possível agir de modo a melhorar a saúde dos animais na natureza. A ideia de tratá-los ou vaciná-los contra as doenças para que não sofram pode parecer completamente irrealista. Mas realmente é?

A resposta, bastante simples, é não. Tratar ou vacinar animais selvagens são apenas dois exemplos de como podemos ajudar claramente os animais selvagens.

Doenças, que são uma fonte de muito sofrimento e morte, não devem ser combatidas apenas quando afetam humanos, ou quando afetam animais não humanos de formas que também são negativas para humanos. Também devem ser combatidas quando animais não humanos são os afetados por causa do dano causado a eles mesmos, e não simplesmente devido a interesses humanos.


Leituras adicionais:

Bengis, R. G.; Kock, R. A. & Fischer, J. (2002) “Infectious animal diseases: The wildlife/livestock interface”, Revue Scientifique et Technique, 21(1), pp. 53-65 [acessado em 28 de novembro de 2016].

Bosch, J.; Sanchez-Tomé, E.; Fernández-Loras, A.; Oliver, J. A.; Fisher, M. C. & Garner, T. W. (2015) “Successful elimination of a lethal wildlife infectious disease in nature”, Biology Letters, 11 (11) [acessado em 27 de novembro de 2016].

Curtis, C. F.; Brookes, G. D.; Grover, K. K.; Krishnamurthy, B. S.; Laven, H.; Rajagopalan, P. K.; Sharma, L. S.; Sharma, V. P.; Singh, D.; Singh, K. R. P.; Yasuno, M.; Ansari, M. A.; Adak, T.; Agarwal, H. V.; Batra, C. P.; Chandrahas, R. K.; Malhotra, P. R.; Menon, P. K. B.; Das, S.; Razdan, R. K.; & Vaidanyanathan, V. (1982) “A field trial on genetic control of Culex p. fatigans by release of the integrated strain IS-31B”, Entomologia Experimentalis et Applicata, 31, pp. 181-190.

Dame, D. A.; Woodward, D. B.; Ford, H. R. & Weidhaas, D. E. (1964) “Field behavior of sexually sterile Anopheles quadrimaculatus males”, Mosquito News, 24, pp. 6-16.

Daszak, P.; Cunningham, A. A. & Hyatt, A. D. (2000) “Emerging infectious diseases of wildlife – threats to biodiversity and human health”, Science, 287, pp. 443-449.

Delahay, R. J.; Smith, G. C. & Hutchings, M. R. (2009) Management of disease in wild mammals, Dordrecht: Springer.

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Gortázar, C.; Delahay, R. J.; Mcdonald, R. A.; Boadella, M.; Wilson, G. J.; Gavier-Widen, D. & Acevedo, P. (2012) “The status of tuberculosis in European wild mammals”, Mammal Review, 42, pp. 193-206.

Gortázar, C.; Díez-Delgado, I.; Barasona, J. A.; Vicente, J.; de la Fuente, J. & Boadella, M. (2015) “The wild side of disease control at the wildlife-livestock-human interface: A review”, Frontiers in Veterinary Science, 1, A. 27, pp. 1-27.

Han, B. A.; Park, A. W.; Jolles, A. E. & Altizer, S. (2015) “Infectious disease transmission and behavioural allometry in wild mammals”, Journal of Animal Ecology, 84 (3), pp. 637-646.

Harris, R. N. (1989) “Nonlethal injury to organisms as a mechanism of population regulation”, The American Naturalist, 134, pp. 835-847.

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Wobeser, G. A. (2012) Diseases of wild waterfowl, Dordrecht: Springer.

Wobeser, G. A. (2013) Investigation and management of disease in wild animals, Dordrecht: Springer.


Notas:

1 Beldomenico, P. M.; Telfer, S.; Gebert, S.; Lukomski, L.; Bennett, M. & Begon, M. (2008) “Poor condition and infection: a vicious circle in natural populations”, Proceedings of the Royal Society of London B: Biological Sciences, 275 (1644), pp. 1753-1759.

2 Simpson, V. R. (2002) “Wild animals as reservoirs of infectious diseases in the UK”, op. cit. Gortázar, C.; Ferroglio, E.; Höfle, U.; Frölich, K.; Vicente, J. (2007) “Diseases shared between wildlife and livestock: A European perspective”, European Journal of Wildlife Research, 53, pp. 241-256. Martin, C.; Pastoret, P. P.; Brochier, B.; Humblet, M. F. & Saegerman, C. (2011) “A survey of the transmission of infectious diseases/infections between wild and domestic ungulates in Europe”,Veterinary research, 42: 70.

3 Veja Barlow, N. D. (1995) “Critical evaluation of wildlife disease models”, em Grenfell, B. T. & Dobson, A. P. (eds.) Ecology of infectious diseases in natural populations, Cambridge: Cambridge University Press, pp. 230-259; Branscum, A. J.; Gardner, I. A. & Johnson, W. O. (2004) “Bayesian modeling of animal- and herd-level prevalences”, Preventive Veterinary Medicine, 66, pp. 101-112; Nusser, S. M.; Clark, W. R.; Otis, D. L. & Huang, L. (2008) “Sampling considerations for disease surveillance in wildlife populations”, Journal of Wildlife Management, 72, pp. 52-60; McClintock, B. T.; Nichols, J. D.; Bailey, L. L.; MacKenzie, D. I.; Kendall, W. & Franklin, A. B. (2010) “Seeking a second opinion: uncertainty in disease ecology”, Ecology letters, 13 (6), pp. 659-674. Veja também Camacho, M.; Hernández, J. M.; Lima-Barbero, J. F. & Höfle, U. (2016) “Use of wildlife rehabilitation centres in pathogen surveillance: A case study in white storks (Ciconia ciconia)”, Preventive Veterinary Medicine, 130, pp. 106-111

4 Veja The Center for Food Security & Public Health (2016 [2004]) Animal disease information, op. cit.; Department of Agriculture and Fisheries – Queensland Government (2016 [2010]) “A-Z list of significant animal pests and diseases”, op. cit.; Animal and Plant Health Inspection Service – United States Department of Agriculture (2015) “Animal disease information”, op. cit.; Wildlife Data Integration Network (2016) “Wildlife disease: Index”, op. cit.; World Organization for Animal Health (2016) “Animal diseases”, op. cit. Veja também Wikipedia (2013) “Category: Animal diseases”, Wikipedia [acessado em 29 de agosto de 2016].

5 Cole, R. A. & Friend, M. (1999) Field manual of wildlife diseases: Parasites and parisitic diseases, Lincoln: University of Nebraska [acessado em 16 de abril de 2014]. Dantas-Torres, F.; Chomel, B. B. & Otranto, D. (2012) “Ticks and tick-borne diseases: A One Health perspective”, Trends in Parasitology, 28, pp. 437-446.

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