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Golden retriever hunting dog with sandhill crane in his mouth

Caça

Uma das atividades humanas que mais matam animais não humanos é a caça. Não há estatísticas sobre quantos animais são mortos por caçadores. Entretanto, sabemos que somente nos EUA mais de 13 milhões de pessoas acima de 16 anos são caçadores registrados1. Se cada caçador matasse apenas um animal por ano, a contagem de mortes seria de dezenas de milhões; acontece que caçadores matam muitos animais a cada ano, logo o número real de mortes no mundo todo pode estar na casa de centenas de milhões, se não bilhões2.

Alguns criticam a caça pelo fato de centenas de humanos serem vítimas (mortas ou feridas) da caça ao redor do mundo em cada ano. Algumas dessas vítimas são os próprios caçadores, enquanto outras são apenas transeuntes. Entretanto, se rejeitamos o especismo ou simplesmente levarmos em conta os interesses dos animais não humanos, não precisamos de nenhuma dessas razões para nos opormos à caça. Só precisamos apontar que essa prática prejudica animais não humanos de muitas formas diferentes. Os animais vítimas da caça são privados de suas vidas e muitas vezes sofrem terrivelmente quando são caçados. Alguns caçadores tentam justificar essa matança citando mortes humanas causadas por animais selvagens. Essa é uma péssima desculpa. Alguns caçadores buscam o esporte na mutilação de indivíduos não humanos simplesmente pelo prazer que experimentam na caça. Entender as injustiças do especismo e os interesses dos animais não humanos nos dá boas razões para acreditar que nosso prazer não pode justificar a dor deles. Animais caçados sofrem terrivelmente e são privados de suas vidas, e isso é razão suficiente para que os caçadores parem o que fazem.

 

Diferentes formas de caça

Há uma grande variedade de animais que são mortos pela caça. Caçadores matam praticamente todos os tipos de animais de grande porte no que é chamado de “caça grossa” (“big-game hunting”, em inglês). As vítimas incluem animais como elefantes, ursos, rinocerontes e leões. Existem outros tipos de “troféus de caça” cujos alvos são pequenas aves e mamíferos. Os caçadores de hoje em dia geralmente matam os animais com armas de fogo, embora em alguns países seja tradição caçar certos animais usando cães, que não apenas ajudam a capturar, mas também a matar a presa. Em outros casos, as vítimas são caçadas com arcos e flechas, ou até mesmo com lanças.

Normalmente, os caçadores matam animais em zonas rurais próximas ao local onde vivem, ou viajam ao exterior onde há outros animais diferentes. Em outros casos, os caçadores vão a terras particulares e pagam aos donos para poderem caçar em sua propriedade. Em alguns ranchos, os animais são mantidos para caçadores que pagam para matá-los. A prática é conhecida como caça em cativeiro ou “caça confinada”. Animais mantidos em propriedades privadas são algumas vezes comprados de vendedores especializados, embora em muitos casos sejam adquiridos de circos quando estão velhos e incapazes de se apresentarem, ou então de zoológicos ou outros espetáculos com animais. Esses animais, que são frequentemente mansos e não têm medo de humanos, podem ser mortos com facilidade.

A caça ocorre também nos safáris. Essas caçadas são caras; os clientes podem caçar por vários dias, durante os quais são acompanhados por caçadores profissionais, e também por guias e carregadores. Os alvos das caças em safáris são animais raros e exóticos.

Em 2005, uma polêmica surgiu quando uma empresa na Internet anunciou que estava fornecendo um serviço de caça online, que permitiria aos clientes matar animais através do uso de webcams e armamento controlado remotamente. Esse modo de matar animais, apelidado de “caça pela Internet”, continua legalizado em algumas regiões, apesar de grandes críticas3.

Algumas formas de caça são consideradas tradicionais porque as comunidades nas quais são realizadas caçam animais há muito tempo, mesmo que os métodos usados na captura e morte dos animais não sejam mais tradicionais (como no caso do povo norte-americano Makah, que caça baleias com barcos a motor e rifles). Os animais, sejam eles caçados por meios tradicionais ou modernos, sofrem e morrem de qualquer forma.

Enquanto algumas formas de caça ocorrem dentro da lei, outras não. Aqueles que caçam ilegalmente são chamados de caçadores clandestinos. Eles caçam por diversão ou por motivos econômicos. Em alguns países, incluindo os EUA, caçadores clandestinos matam tantos animais quanto os caçadores legalizados. Caçadores clandestinos são frequentemente ridicularizados por caçadores que matam animais legalmente. Porém, não faz diferença se a morte e o sofrimento de animais são legalizados ou não. Se considerarmos plenamente os interesses dos animais não humanos, deveríamos nos opor a todas as formas de matança, tanto as legais quanto as ilegais. Ambas causam os mesmos danos, e nesse contexto são idênticas.

 

Conservacionismo e caça

Uma tentativa de justificar a caça é que caçadores fazem aos animais o que os animais fazem uns aos outros. Em oposição a esse argumento, pode-se apontar que predadores não humanos não conseguem refletir sobre suas ações, enquanto caçadores humanos conseguem. A questão é que é verdade que nos ambientes selvagem há muito sofrimento por razões naturais, mas nossa resposta a isso não deve ser o aumento desse sofrimento, mas sim sua redução sempre que for possível. O fato de os animais já estarem sendo prejudicados de certas maneiras não é razão ou justificativa para causar mais danos. Ao invés disso, deveríamos tentar ajudar os animais.

Em outros casos, argumenta-se que a caça é necessária para regular as populações de animais na natureza. Essa afirmação é baseada na ideia de que animais não humanos são importantes apenas como unidades ou elementos do meio ambiente4. Essa ideia assume o ponto de vista ambientalista que valoriza a conservação dos ecossistemas em vez de indivíduos sencientes. O que essa postura não reconhece é que animais podem sofrer, enquanto ecossistemas não podem. Essa posição conservacionista convencional é defendida pelo WWF, pelo Sierra Club, pela National Wildlife Federation, pela National Audubon Society, pela Wilderness Society, pela Wildlife Legislative Fund of America, pela North American Wildlife Foundation, e muitas outras organizações ambientalistas. Existem também muitas organizações ambientalistas que rejeitam certas formas de caça, mas ainda assim defendem outras por serem tradicionais ou consideradas necessárias para “controlar” determinadas populações de animais. Exemplos de tais organizações incluem o Greenpeace e uma série de Partidos Verdes de diferentes países.

Essa visão ambientalista é especista, ou seja, é tendenciosa contra os animais, uma vez que essa não é a atitude que é geralmente mantida a respeito de seres humanos. Humanos nunca são mortos para preservar um ecossistema. Os ecossistemas não são sencientes: eles não sentem dor, e são importantes somente na medida em que fazem as vidas das criaturas sensíveis melhores ou piores. Animais não humanos são criaturas sensíveis. A prioridade moral deve ser dada a animais acima de ecossistemas, da mesma forma que é dada a seres humanos. É por isso que a caça para conservação do meio ambiente não é um motivo legítimo para matar animais.

Devido ao modo como as dinâmicas populacionais funcionam, matar animais para regular o tamanho da população é problemático, se não contraditório. De acordo as interações predador-presa estudadas pelas equações de Lotka-Volterra5, quando determinada população de animais é reduzida dessa forma, a redução só pode ser temporária. Em pouco tempo a população retorna aos números iniciais ou a números ainda mais altos. Isso acontece porque quando veados ou outros animais são mortos, há mais recursos disponíveis para outros animais da mesma população, que então se multiplica. Isso significa que a população de animais nunca é realmente conduzida a números menores de maneira estável. Na verdade, o único meio de garantir que a taxa de aumento populacional não continuará aumentando até alcançar a taxa original é dizimando-a além do nível em que ela pode continuar existindo. Os caçadores estão cientes disso e afirmam que as matanças devem ser realizadas regularmente e de forma permanente, como ao “cortar a grama”.

Sob o rótulo de programas de “manejo da vida selvagem”, diferentes órgãos ambientais na verdade promovem a reprodução de certos animais, para que possam lucrar com caçadores que pagam para matá-los.

Em alguns casos, os animais são introduzidos em novos ambientes com o propósito expresso de serem caçados. Isso pode levar ao extermínio em massa dos novos animais se eles forem posteriormente declarados como uma espécie exótica ou invasora.

Animais que são deslocados de determinadas áreas para outras frequentemente transmitem doenças a outras populações de animais. Animais de habitats estrangeiros com frequência carregam doenças e imunidades que animais locais não possuem. Um exemplo disso é a doença emaciante crônica (uma condição neurológica grave) na América do Norte, que se espalhou quando veados e alces criados em cativeiro foram levados para diferentes regiões.

Alguns animais, como roedores, raposas e javalis, são mortos por serem considerados “pestes” ou “pragas”. Sua classificação como “pestes” é subjetiva: eles são chamados assim simplesmente porque seus interesses (com frequência, interesses vitais) entram em conflito com os interesses humanos, que podem ser um tanto triviais6.

Essencialmente todos os interesses e argumentos a favor da caça são especistas. Até argumentos ambientalistas simplesmente reproduzem o ponto de vista especista. Nós nunca caçaríamos humanos para manejar determinado ambiente (exceto, é claro, em casos de ataques de limpeza étnica ou outras agressões racistas ou xenófobas).

 

Como os animais são prejudicados devido à caça

Os animais mortos por caçadores são privados de suas vidas, e portanto de qualquer desfrute futuro possível. Algumas vezes os animais são pais com crias dependentes, e seus filhos também são condenados a morrer, lentamente, de fome.

Além de perderem suas vidas, as vítimas da caça sofrem quando são perseguidas. Isso ocorre devido ao medo e estresse durante a perseguição, e devido aos ferimentos que atingem os sobreviventes.

 

Sofrimento dos animais durante a caça

Os animais caçados, como os veados, sofrem estresse extremo e são forçados a experimentar condições muito além de seus limites normais. Quando perseguidos, veados correm por suas vidas até o ponto da exaustão7. Eles fazem isso por medo, que aumenta à medida que percebem que não podem escapar. Eles sofrem terrores psicológicos o tempo todo até morrerem.

O medo da morte é horrível. A maioria de nós aceita isso como senso comum. Entretanto, não precisamos confiar apenas em conhecimentos transmitido e na intuição. Essa também é uma questão analisada cientificamente. Cientistas identificaram indicadores de estresse em animais e usaram-nos para examinar os níveis de estresse experimentados por ungulados na natureza.

Um desses indicadores é o nível de hormônios de estresse, como o cortisol8. Os animais examinados tinham concentrações que indicavam grande estresse psicológico e fisiológico. Os níveis de cortisol de veados caçados estavam em números mais altos que quaisquer outros já observados em veados, mesmo após exercícios extenuantes. Tais níveis são extremamente difíceis de explicar se não concluirmos que ocorrem devido ao nível muito alto de estresse psicológico9. Outros indicadores incluem danos musculares, danos aos glóbulos vermelhos e esgotamento das fontes de carboidratos que fornecem energia aos músculos10.

Existe um consenso entre os cientistas de que veados tendem a sofrer muito significativamente durante os estágios finais da caça, conforme as reservas de carboidratos nos músculos se aproximam do esgotamento e os veados são repetidamente submetidos a períodos de esforço físico extremo. Além disso, a alta temperatura corporal dos veados examinados é consistente com altos níveis de estresse, uma vez que a fisiologia desses animais não é bem adaptada para longos períodos de esforço, mas sim para corridas explosivas e curtas9.

Todas essas observações fornecem evidências contra o argumento de que os veados estejam apenas experimentando níveis elevados de esforço, e não estresse. Durante a caçada, os veados não têm a escolha de continuar ou não; eles são forçados a correr além de sua experiência normal, até que não possam mais. Os veados são impelidos pelo medo da captura e da morte. Algo similar acontece com outros animais, tais como cervos, alces e outros herbívoros que são alvos de caçadores.

Outros animais menores sofrem na mesma medida quando são caçados. Até animais carnívoros podem ficar extremamente estressados durante uma caçada. Pesquisas realizadas em raposas presas em armadilhas mostraram reações de estresse fisiológico nítido que aumentavam com a proximidade de seres humanos7.

Muitas pessoas, incluindo caçadores de raposas, dizem que são apaixonadas por cães. Isso é paradoxal, já que as raposas são geneticamente similares aos cães. Temos motivos para presumir que ambas as espécies têm capacidade parecida de experimentar dor e sofrimento.

As raposas também podem ser caçadas até estarem exaustas, e podem ser feridas várias vezes antes de morrerem7. A porcentagem de feridos pode chegar a 48% com o uso de rifle, e a 60% com o uso de espingarda. Ela não cai abaixo de determinada porcentagem, mesmo que a habilidade do atirador seja elevada11.

Além disso, raposas também sofrem significativamente quando são caçadas com cães. A prática é proibida por lei na Escócia e na Inglaterra, mas às vezes ocorre assim mesmo. Em outros lugares, não foi banida.

Quando perseguida por cães de caça, uma raposa pode tentar escapar pelo subsolo. Nesse caso, um terrier (cão de pequeno porte) é mandado para dentro do buraco para manter a raposa presa, enquanto o dono cava. A raposa, incapaz de fugir, experimenta, então, altos níveis de medo que aumentam no decorrer do tempo12.

É possível comparar a experiência da raposa ao estar acuada por um cão embaixo da terra à de estar presa em uma armadilha de caixa. Em ambos os casos, a raposa é colocada em uma posição na qual é impedida de fugir, onde seu medo aumenta ao longo do tempo, e são incapazes de conseguir alívio.

Enquanto a raposa está presa debaixo da terra, brigas podem ocorrer entre ela e seus captores. Raposas mortas por cães de caça sofrem traumas profundos infligidos por várias mordidas de cães13. Esta prática de soltar cães atrás de raposas se tornou um esporte por si só e é bastante similar às rinhas de cães. Não é muito coerente rejeitar as rinhas de cães e ainda assim aceitar a caça a raposas.

O sofrimento não é exclusivo das raposas, é claro. Outros predadores, como mustelídeos (que são também tradicionalmente caçados em diversos países), podem sofrer significativamente quando são caçados14.

Animais menores, como coelhos e lebres, são caçados por todo o mundo. Em alguns países existem certos modos tradicionais de caçá-los. Em países de língua Inglesa há dois tipos de caça à lebre: a caça informal ou “walk up”, e a caça formal ou organizada. No tipo “walk up”, os cães de caça são mandados atrás de qualquer lebre que aparecer na sua frente, enquanto na caça organizada as lebres são conduzidas a uma arena de caça. A caça à lebre usa cães compridos criados para serem velozes e que caçam usando a visão, logo a caçada acaba relativamente rápido.

Embora a morte ou ferimento da lebre não seja o principal objetivo da caça à lebre, isso ocorre regularmente mesmo assim. Clubes de caça à lebre com frequência têm um “apanhador” pronto para executar lebres feridas, e algumas vezes um veterinário está presente para avaliar a saúde da lebre. Isso significa que a lebre terá que aguentar interação humana durante a captura inicial e durante as avaliações subsequentes e possível soltura, causando altos níveis de medo e aflição.

Os ferimentos que esses animais podem sofrer incluem costelas e membros quebrados, abdômen perfurado e hemorragia interna em vários órgãos. Em um estudo, foi determinado que, em um grupo de lebres que foram feridas, apenas pouco menos da metade (43%) não morreram até que a pessoa que as pegou deslocasse ou fraturasse o pescoço do animal. Cerca de 50% das lebres que foram feridas possivelmente morreram como resultado dos ferimentos sofridos durante o evento, ou após serem apanhadas. Apenas uma lebre foi, sem dúvida, morta pelos cães13.

Existem números variados para mortes de lebres durante eventos de caça. Um relatório afirma que as mortes podem chegar até 48%, mesmo quando os cães estão com focinheira15.

Um trabalho feito pela Irish Hare Initiative (organização irlandesa de proteção a lebres), estudou o impacto da miopatia de captura (uma condição geralmente fatal que inclui insuficiência cardíaca, redução da circulação sanguínea para partes do corpo e insuficiência hepática, para citar apenas alguns dos sintomas fisiológicos) em lebres após eventos de caça, e descobriu que tal condição surge como resultado de estresse severo e do medo de serem perseguidas, manuseadas, transportadas ou capturadas, todas as quais são experiências extremamente estressantes para uma lebre selvagem16.

Durante um evento de caça, imediatamente após sua libertação, a lebre vai parar, não porque está “esperando pelos cães”, como sugerem os caçadores, mas porque ela não espera ser perseguida. Do momento em que a lebre é capturada para ser usada na caçada até o momento de sua soltura, suas rotas normais de fuga não estão acessíveis. Esta é uma situação incomum para uma lebre15 e, com certeza, especialmente estressante. Além disso, como os veados, as lebres são evolutivamente adaptadas a correr em altas velocidades por curtos períodos de tempo para fugir de predadores. No evento, precisam correr durante grandes períodos de tempo, o que lhes provoca estresse prolongado17. No entanto, mesmo se tal situação estressante fosse realmente normal para uma lebre, não seria justificável reproduzir tal situação intencionalmente.

 

Danos aos animais que conseguem escapar

Algumas vezes, caçadores passam horas rastreando os animais até encontrá-los. Em particular isso acontece muitas vezes com caçadores arqueiros. Muitas vezes eles perdem o rastro, e os animais são deixados para morrer em agonia. Estimativas do número de animais recolhidos pelos caçadores que usam arcos concluíram que entre 28% e 50% dos animais feridos nunca são encontrados18.

Animais que escapam não estão livres do sofrimento. Níveis elevados de hormônios, indicativos de danos musculares e estresse psicológico, são similares em veados que escaparam e capturados19.

Além disso, muitos animais que escapam dos caçadores morrem por outros motivos. Eles podem se ferir em quedas quando tentam evitar obstáculos ao fugir em pânico. Eles também podem correr para regiões suburbanas ou estradas, onde são mortos por carros ou outros seres humanos.

Quando os animais por fim conseguem fugir, têm de viver com a dor dos ferimentos que receberam, que muitas vezes é crônica. Aqueles que no fim morrem por causa dos ferimentos passam o resto da vida em agonia.

Pode levar semanas para um animal ferido morrer. Muitos desses animais morrem não devido aos danos diretos de seus ferimentos, mas porque devido a eles os animais ficam incapazes de conduzir suas atividades normais. Muitos simplesmente morrem de fome, pois seus ferimentos os impedem de encontrar alimentos.

Finalmente, como no caso de animais que temem predadores, animais que estiveram em contato com caçadores tentam evitar humanos tanto quanto possível. Por temerem serem caçados, não se arriscam a comer em locais onde estão mais visíveis, e assim podem sofrer de desnutrição. Em ecologia, isso é chamado de “ecologia do medo”, e ocorre quando possíveis presas estão assustadas por medo de predadores. Isso também pode ocorrer no caso de predadores humanos20.

 

Os cães usados para caça

Outros animais que podem sofrer devido à caça são os cães usados nessas atividades. Normalmente, são criados e separados de suas mães para serem vendidos bem jovens. Quando não são mais úteis o suficiente, podem ser vendidos, abandonados ou mortos, algumas vezes por enforcamento. Em alguns casos, cães perdidos durante caçadas em áreas selvagens (onde suas chances de sobrevivência podem ser limitadas) não são recuperados.

Além disso, eles frequentemente sofrem pelas rigorosas condições climáticas. Eles sofrem pelo frio e calor excessivos quando são transportados para lugares onde caçarão. A caçada também pode ser arriscada para eles. Animais perseguidos podem se defender. Por exemplo, no caso da caça de raposas, cães podem sofrer ferimentos horríveis se ocorrer uma briga. Algumas vezes são confundidos com o alvo da caçada, e são baleados.


Leituras adicionais

Baker, R. (1985) The American hunting myth, New York: Vantage Press.

Bulliet, R. W. (2005) Hunters, herders, and hamburgers: The past and future of human-animal relationships, New York: Columbia University Press.

Cohn, P. (ed.) (1999) Ethics and wildlife, Lewiston: Edwin Mellen.

Curnutt, J. (1996) “How to argue for and against sport hunting”, Journal of Social Philosophy, 27, pp. 65-89.

Dahles, H. (1993) “Game killing and killing games: An anthropologist looking at hunting in a modern society”, Society and Animals, 1, pp. 169-189.

Dizard, J. (1994) Going wild: Hunting, animal rights, and the contested meaning of nature, Amherst: University of Massachusetts Press.

Eliason, S. L. (2003) “Illegal hunting and angling: The neutralization of wildlife law violations”, Society and Animals, 11, pp. 225-243.

Gunn, A. S. (2001) “Environmental ethics and trophy hunting”, Ethics and the Environment,6, pp. 68-95.

Kemmerer, L. (2004) “Hunting tradition: Treaties, law, and subsistence killing”, Animal Liberation Philosophy and Policy Journal, 2, pp. 1-20.

National Shooting Sports Foundation (2009) What they say about hunting, Englewood: American Humane Association [acessado em 26 de fevereiro de 2016].

Richter, A. R. & Labisky, R. F. (1985) “Reproductive dynamics among disjunct white-tailed deer herds in Florida”, The Journal of Wildlife Management, 49, pp. 964-971.

Swan, J. A. (1995) In defense of hunting, New York: HarperCollins.

Thomas, R. H. (1983) The politics of hunting, Aldershot: Gower.

Wade, M. (1990) “Animal liberation, ecocentrism and the morality of sport hunting”, Journal of the Philosophy of Sport, 17, pp. 15-27.


1 U. S. Department of the Interior, Fish and Wildlife Service & U. S. Department of Commerce, U.S. Census Bureau (2002) 2001 National Survey of Fishing, Hunting, and Wildlife-Associated Recreation, [Washington]: U. S. Department of the Interior, Fish and Wildlife Service [acessado em 26 de fevereiro de 2013].

2 Calcula-se que mais de 200 milhões de animais sejam caçados nos Estados Unidos por ano, ambora a cifra possa ser maior. Ver In Defense of Animals (2015) “Hunting – “the murderous business”, idausa.org [acessado em 16 de abril de 2015].

3 Seward, Z. M. (2007) “Internet hunting has got to stop – if it ever starts”, The Wall Street Journal, August 10 [acessado em 12 de abril de 2013].

4 Johnson, E. (1981) “Animal liberation versus the land ethic”, Environmental Ethics, 3, pp. 265-273. Crisp, R. (1998) “Animal liberation is not an environmental ethic: A response to Dale Jamieson”, Environmental Values, 7, pp. 476-478. Shelton, J.-A. (2004) “Killing animals that don’t fit in: Moral dimensions of habitat restoration”, Between the Species, 13 (4) [acessado em 30 de janeiro de 2013].

5 Lotka, A. J. (1920) “Analytical note on certain rhythmic relations in organic systems”, Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, 6, pp. 410-415. Volterra, V. (1931) “Variations and fluctuations of the number of individuals in animal species living together”, en Chapman, R. N. (ed.) Animal ecology: With special reference to insects, New York: McGraw-Hill. Ver, por ejemplo, este modelo depredador-presa o este modelo de ecuaciones depredación-presa.

6 Young, S. M. (2006) “On the status of vermin”, Between the Species, 13 (6) [acessado em 14 de janeiro de 2016].

7 Bateson, P. & Bradshaw, E. L. (1997) “Physiological effects of hunting red deer (Cervus elaphus)”, Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, 264 (1389), pp. 1707-1714.

8 Mentaberre, G.; López-Olvera, J. R.; Casas-Díaz, E.; Bach-Raich, E.; Marco, I. & Lavín, S. (2010) “Use of haloperidol and azaperone for stress control in roe deer (Capreolus capreolus) captured by means of drive-nets”, Research in Veterinary Science, 88, pp. 531-535.

9 White, P. J.; Kreeger, T. J.; Seal, U. S. & Tester, J. R. (1991) “Pathological responses of red foxes to capture in box traps”, The Journal of Wildlife Management, 55, pp. 75-80.

10 Rochlitz, I. & Broom, D. M. (2008) An update of ‘The review on the welfare of deer, foxes, mink and hares subjected to hunting by humans’, London: International Fund for Animal Welfare.

11 Veterinary Association for Wildlife Management (2010) “Management of the rural and urban fox”, vet-wildlifemanagement.org.uk [acessado em 30 de abril de 2013].

12 Broom, D. M. (1991) “Animal welfare: concepts and measurement”, Journal of Animal Science, 69, pp. 4167-4175. Rochlitz, I. & Broom, D. M. (2008) An update of ‘The review on the welfare of deer, foxes, mink and hares subjected to hunting by humans’, op. cit.

13 Committee of Inquiry into Hunting with Dogs in England and Wales (2000) The Final Report of the Committee of Inquiry into Hunting with Dogs in England and Wales, Norwich: TSO [acessado em 16 de abril de 2013].

14 Hartup, B. K.; Kolias, G. V.; Jacobsen, M. C.; Valentine, B. A. & Kimber, K. R. (1999) “Exertional myopathy in translocated river otters in New York”, Journal of Wildlife Diseases, 35, pp. 542-547.

15 Rendle, M. (2006) “The impact of enclosed hare coursing on Irish hares”, BanBloodSports.com [acessado em 18 de junho de 2013].

16 Rendle, M. & Irish Hare Initiative (2006) “Stress and capture myopathy in hares”, BanBloodSports.com [acessado em 18 de junho de 2013].

17 Reid, N.; McDonald, R. A. & Montgomery, W. I (2007) “Factors associated with hare mortality during coursing”, Animal Welfare, 16, pp. 427-434.

18 Ditchkoff, S. S.; Welch, E. R., Jr.; Lochmiller, R. L.; Masters, R. E.; Starry, W. R. & Dinkines, W. C. (1998) “Wounding rates of white-tailed deer with traditional archery equipment”, Proceedings of the Southeastern Association of Fish and Wildlife Agencies,  52, pp. 244-248. Pedersen, M. A., Berry, S. M. & Bossart, J. C. (2008) “Wounding rates of white-tailed deer with modern archery equipment”, Proceedings of the Southeastern Association of Fish and Wildlife Agencies, 62, pp. 31-34.

19 Bradshaw, E. L. & Bateson, P. (2000) “Welfare implications of culling red deer (Cervus elaphus)”, Animal Welfare, 9, pp. 3-24.

20 Horta, O. (2010) “The ethics of the ecology of fear against the nonspeciesist paradigm: A shift in the aims of intervention in nature”, Between the Species, 13 (10), pp. 163-187 [acessado em 5 de março de 2013].

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